A Polícia Federal desarticulou nesta quinta-feira (9) mais um braço do esquema do Banco Master. O alvo da operação é o publicitário Thiago Miranda, suspeito de coordenar campanhas de desinformação voltadas a comprometer a credibilidade do Banco Central.
Miranda é apontado como articulador do recrutamento de influenciadores digitais com contratos de até R$ 2 milhões — incluindo cláusulas de confidencialidade e ameaças a quem recusasse colaborar com o grupo.
O esquema incluía, segundo a PF, intimidação de jornalistas e uso de dados obtidos ilegalmente. A operação foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do STF, relator do inquérito sobre o Caso Master.
Como o esquema de desinformação operava
Conforme a decisão do ministro Mendonça, Miranda atuava como articulador central de um plano estruturado em núcleos criminosos. Seu papel era recrutar influenciadores e jornalistas para defender o Banco Master e atacar o Banco Central — com contratos que incluíam cláusulas de confidencialidade e ameaças veladas a quem recusasse participar.
Entre os alvos das ações do grupo estão a colunista Malu Gaspar, do jornal O Globo, e o empresário Milton Maluhy Filho, do Itaú Unibanco. Relatórios confidenciais com dados civis e fiscais de ambos circulavam por orientação direta de Miranda.
O publicitário também mantinha contato com veículos jornalísticos para negociar a redução de danos de reportagens negativas contra Vorcaro e pressionar pela remoção de conteúdos considerados prejudiciais ao grupo.
A PF aponta que o grupo utilizava informações obtidas ilicitamente — incluindo quebra de sigilo e devassas em dados financeiros, cadastrais e de familiares de jornalistas e concorrentes — para coagir quem resistia ao esquema.
Miranda é dono da Miranda Comunicação, também conhecida como Agência MiThi. Os pagamentos aos influenciadores tinham origem direta na aquisição de parte do portal Léo Dias pela Super Empreendimentos e Participações — empresa de Daniel Vorcaro —, detalhe revelado pelo Tropiquim ao noticiar a operação desta quinta-feira.
Miranda nega e diz que atuava para “reconstrução reputacional”
Em depoimento à PF em março, Thiago Miranda rejeitou as acusações e afirmou que seu trabalho junto a Vorcaro era para a “reconstrução reputacional da imagem” do banqueiro — não para atacar autoridades ou órgãos do Estado.
A investigação ganhou contornos mais amplos em janeiro, quando o g1 revelou que influenciadores foram contratados para postar críticas ao Banco Central. Um criador de conteúdo de São Paulo relatou, sob anonimato, ter recebido R$ 7,8 mil por uma única publicação em dezembro — com o pagamento feito diretamente pela empresa de Miranda.
A intimidação de jornalistas se encaixa no padrão já documentado pela PF: em junho, investigadores revelaram que o mesmo braço operacional chamado de “A Turma” foi acionado por Vorcaro para forjar um flagrante de drogas contra um adversário pessoal, conforme revelou o Tropiquim.
Vorcaro, preso em Brasília desde março, já teve duas propostas de delação premiada rejeitadas pela PF — que suspeita que o banqueiro está protegendo pessoas do seu círculo próximo, incluindo possíveis operadores do esquema de intimidação agora revelado, como o Tropiquim havia antecipado.
