A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira (18) a 9ª fase da Operação Compliance Zero e colocou na mira o senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo Lula no Senado. A PF suspeita que Wagner usou sua influência no Congresso Nacional para favorecer os interesses do Banco Master.
Em troca, ele teria recebido vantagens indevidas: um apartamento de luxo em Salvador avaliado em R$ 2,5 milhões e repasses milionários para empresas ligadas a familiares do senador.
A origem do vínculo entre Wagner e Augusto Lima
No centro das investigações está a relação entre o senador e o banqueiro Augusto Lima, dono do Banco Master e também alvo desta fase da operação. Para a PF, esse vínculo começou a se consolidar em 2018, na gestão do petista Rui Costa no governo da Bahia.
À época, o estado privatizou uma empresa pública de supermercados e criou um cartão de crédito consignado para servidores estaduais. O modelo foi absorvido pelo Banco Master e depois replicado em outros estados do país — uma expansão que se revelou altamente lucrativa para a instituição financeira.
A PF aponta que Wagner teria atuado como articulador político desse processo dentro do Legislativo. Segundo o Tropiquim apurou, o senador teria agido diretamente em pautas de interesse do banco — incluindo uma emenda que ampliou o crédito consignado e a PEC 65/2023, detalhes que a investigação foi esmiuçando ao longo desta quinta-feira.
Impacto político no governo Lula
Jaques Wagner não é um senador qualquer: ele ocupa a liderança do governo no Senado, peça essencial para a articulação política do Executivo federal no Congresso. Ser alvo da Polícia Federal nessa posição coloca o PT em situação delicada e abala um dos pilares da base governista.
Após a deflagração da operação, Wagner foi a público negar as irregularidades e recebeu solidariedade do presidente Lula — movimento que expõe como o campo governista pretende absorver o impacto da crise sem abrir mão do senador.
A investigação também lança luz sobre uma teia de relações que une política, bancos e consignado público. O modelo que teria beneficiado o Banco Master — criado na Bahia sob gestão petista e depois replicado em outros estados — pode ser o fio condutor de uma história mais longa do que esta operação sozinha consegue revelar.
