O empresário Thiago Miranda atuava como principal recrutador de influenciadores digitais para um esquema de intimidação investigado pela Polícia Federal — e também controlava os pagamentos a esses profissionais.
A revelação consta da decisão do ministro André Mendonça, do STF, que autorizou a 10ª fase da Operação Compliance Zero, deflagrada nesta quinta-feira (9).
Segundo os investigadores, Miranda abordava influenciadores e jornalistas com propostas financeiras. Em caso de recusa, ameaçava usar informações privadas e sigilosas para intimidar os profissionais.
A decisão de André Mendonça detalha que os pagamentos tinham origem específica: os recursos vinham da aquisição de parte do portal de notícias Léo Dias, repassados pela Super Empreendimentos e Participações, empresa de Daniel Vorcaro.
O caixa do esquema
A Super Empreendimentos já havia sido apontada pela PF como instrumento para “prática de crimes financeiros e lavagem de dinheiro” em favor da chamada “turma” — braço do grupo dedicado a ameaças, coerções pessoais e acesso clandestino a sistemas de governo.
Contratos de três meses podiam render até R$ 188 mil a influenciadores, com cláusulas de confidencialidade. Ao menos um criador de conteúdo relatou ter recebido R$ 7,8 mil por uma única postagem crítica ao Banco Central, conforme apuração anterior do Tropiquim.
A decisão registra que Miranda operava com ameaças duplas: oferecia dinheiro e, em caso de recusa, usava informações privadas cobertas por sigilo legal para fins intimidatórios e ameaçadores.
A liderança operacional do núcleo era atribuída ao policial federal aposentado Marilson Roseno da Silva, que respondia a Felipe Mourão, o “Sicário”. Mourão havia sido preso em fase anterior da operação e morreu após atentar contra a própria vida sob custódia da PF.
Segundo a autoridade policial, o grupo tinha três objetivos centrais: proteger a cúpula da organização criminosa, manipular a opinião pública e coagir jornalistas, concorrentes e pessoas ligadas ao presidente do Banco Central.
Sequência da Compliance Zero
A 10ª fase da operação integra uma cadeia de investigações de alto impacto. Há menos de um mês, a Compliance Zero mirava o senador Jaques Wagner por suposta atuação parlamentar em favor do Banco Master — a mesma operação que agora expõe como os recursos do grupo de Vorcaro financiavam o braço de desinformação controlado por Miranda.
Os investigadores também apuram levantamentos clandestinos sobre desafetos do grupo, obtenção de dados sigilosos e acessos indevidos a sistemas governamentais.
