O Departamento de Estado dos EUA anunciou, nesta sexta-feira (29), um fundo de US$ 8,8 milhões — cerca de R$ 44,6 milhões — para criar um programa de combate ao terrorismo no Hemisfério Ocidental.
A iniciativa cita nominalmente as facções brasileiras PCC e Comando Vermelho e prevê capacitar juízes, promotores e investigadores da América Latina e do Caribe para desmantelar redes financeiras de Organizações Terroristas Estrangeiras (FTOs).
Capacitação regional contra o financiamento do terrorismo
O programa tem como objetivo direto sufocar os mecanismos de financiamento dos grupos classificados pelos EUA como Organizações Terroristas Estrangeiras. Além do PCC e do Comando Vermelho, a iniciativa também mira a influência de grupos apoiados pelo Irã na região.
O documento do Departamento de Estado descreve o Brasil como parte do ambiente de ameaça regional na América do Sul — justificativa direta para a inclusão das facções nacionais no escopo do programa de capacitação.
O fundo anunciado nesta sexta é desdobramento direto de uma decisão da véspera: na quinta-feira (28), os EUA formalizaram a inclusão do PCC e do CV na lista de Organizações Terroristas Estrangeiras, o mesmo enquadramento legal que agora justifica o financiamento da capacitação regional.
O anúncio integra uma sequência de movimentos americanos que deixou o governo Lula em posição delicada: a classificação das facções como terroristas foi comunicada sem aviso prévio ao Planalto.
Ao destinar recursos para treinar autoridades judiciais e investigativas em toda a região, Washington sinaliza que as novas designações não são medida simbólica — mas ponto de partida para um enforcement regional efetivo contra as redes financeiras do crime organizado transnacional.
O programa também reflete a ampliação do escopo de segurança dos EUA no hemisfério: ao lado das facções brasileiras, o documento americano enquadra grupos ligados ao Irã como ameaças comuns, conectando a segurança interna dos países da região à geopolítica global.
