O presidente Luiz Inácio Lula da Silva atacou nesta sexta-feira (29) o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), acusando-o de “trair a pátria” ao solicitar ao governo dos Estados Unidos que classificasse o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas.
A ofensiva veio três dias depois de Flávio se reunir com Donald Trump na Casa Branca — encontro que, no dia seguinte, resultou na inclusão das duas maiores facções brasileiras na lista americana de Terroristas Globais Especialmente Designados.
O encontro entre Flávio Bolsonaro e Trump ocorreu na terça-feira (26). Já na quinta (28), o secretário de Estado Marco Rubio anunciou oficialmente a designação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas estrangeiras — sem aviso prévio ao governo brasileiro.
Segundo Washington, as duas facções estão entre as organizações mais violentas do continente, com ramificações internacionais que alcançam o território norte-americano por meio do narcotráfico. A classificação aciona mecanismos rígidos da legislação dos EUA.
Flávio, pré-candidato à Presidência nas eleições de 2026, defendeu a iniciativa com o argumento de que PCC e CV operam como “governos paralelos” e que a cooperação internacional é necessária para combatê-los. Três dias antes da reação de Lula, o senador havia pedido pessoalmente a Trump, na Casa Branca, que os EUA adotassem exatamente a classificação que agora o presidente chama de traição à pátria.
Na resposta, Lula não poupou ironia. “Se ele fosse pedir intervenção para prender miliciano, eles ficavam presos lá”, afirmou o presidente, em referência direta aos apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Divisão no Congresso e risco para empresas brasileiras
A medida gerou reações opostas no cenário político. Aliados de Flávio Bolsonaro celebraram a classificação americana como vitória eleitoral e munição contra o governo Lula na área de segurança pública. A indignação do presidente contrasta com o clima no Congresso, onde parlamentares da oposição abertamente festejaram a decisão de Washington.
Integrantes do governo e diplomatas brasileiros expressaram nos bastidores o temor de uma “pauta bumerangue”: as sanções americanas poderiam afetar indiretamente empresas brasileiras legítimas alcançadas por investigações de lavagem de dinheiro ligadas às facções.
O Palácio do Planalto também sinalizou preocupação com a soberania nacional. Para o governo, a interferência dos EUA nas políticas internas de segurança pública representa um precedente delicado — especialmente em ano eleitoral.
