Política

Congresso recusou equiparar CV e PCC a terroristas meses antes da decisão dos EUA

Flávio Bolsonaro foi à Casa Branca pedir o que não defendeu no plenário; emenda foi rejeitada em votação simbólica
Congresso Nacional e Flávio Bolsonaro em composição sobre facções criminosas equiparadas a terroristas e decisão dos EUA

O Congresso Nacional debateu e rejeitou a equiparação de facções ao terrorismo durante o PL Antifacção, aprovado em fevereiro com 370 votos na Câmara e aprovação unânime no Senado — mas sem a classificação que os EUA adotariam meses depois.

A proposta chegou a estar no texto inicial, mas foi retirada antes da votação. A única tentativa de reincluí-la no plenário foi barrada. CV e PCC ficaram enquadrados como organizações criminosas, não como terroristas.

Da proposta ao recuo na Câmara

O relator do projeto, deputado Guilherme Derrite (PP-SP), inseriu a classificação de terrorismo nas primeiras versões do PL Antifacção, em novembro de 2025. O texto propunha retirar crimes de domínio territorial da Lei de Organizações Criminosas e enquadrá-los na Lei Antiterrorismo, com penas de 20 a 40 anos de reclusão.

Diante de críticas de que a medida colocaria em risco a soberania nacional, Derrite recuou e excluiu o trecho do parecer. A oposição tentou reintroduzir a equiparação via destaque no plenário — mecanismo que permite votar um trecho separadamente —, mas a manobra foi barrada pelo presidente da Câmara, Hugo Motta.

Senado nunca apoiou a medida

No Senado, o relator Alessandro Vieira (MDB-SE) foi contra a equiparação desde o início da tramitação. Para ele, as leis vigentes e os tratados de cooperação internacional já são suficientes para combater o crime organizado.

“A pena que colocamos para faccionado é superior à pena para terrorista”, argumentou Vieira ao justificar sua posição contrária à mudança de enquadramento legal.

Foi o senador Eduardo Girão (Novo-CE) quem apresentou uma emenda para submeter facções criminosas ao mesmo regime jurídico do terrorismo — proposta rejeitada em votação simbólica, sem registro nominal. Votaram a favor apenas Carlos Portinho, Jorge Seif, Sergio Moro, Wellington Fagundes, Damares Alves e o próprio Girão.

O contraste de Flávio Bolsonaro

O contraste é revelador: enquanto não articulou a medida no Senado durante o PL Antifacção, Flávio Bolsonaro foi pessoalmente à Casa Branca pedir a Trump o que não defendeu no plenário brasileiro. O senador e pré-candidato à presidência viajou a Washington e solicitou ao presidente norte-americano a classificação do CV e do PCC como organizações terroristas.

Quando os EUA anunciaram a medida, em 28 de maio, Flávio comemorou o resultado. Mas durante as votações do PL Antifacção, o senador não votou na emenda de Girão — e justificou, em nota, que estava fora do plenário no momento.

“A posição do senador é clara: tolerância zero contra as facções”, diz o documento, que menciona um prazo para que os integrantes das organizações se rendam ou deixem o país.

A decisão americana reacendeu o mesmo debate que o Congresso havia encerrado sem consenso meses antes. O anúncio dos EUA gerou reações opostas entre governo e oposição, aprofundando a clivagem política em torno de um tema que o próprio Legislativo havia rejeitado internamente.

escrito com o apoio da inteligência artificial
este texto foi gerado por IA sob curadoria da equipe do Tropiquim.
todos os fatos foram verificados com rigor.
Leia mais

Crédito subsidiado cresce sob Lula e obriga BC a manter Selic mais alta

Rio investiga viajante belga vindo de Uganda com suspeita de ebola

Painéis que exibiram montagem de Bolsonaro atacando jogador são desativados no Paraguai

Tribunal alemão julga certificadora que atestou barragem de Brumadinho antes da tragédia