O Brasil tem quase metade de sua população endividada. A Serasa Experian revelou nesta terça-feira que 82,8 milhões de brasileiros estavam negativados em março — o equivalente a 49% dos habitantes do país.
Do total de R$ 5,5 trilhões em débitos registrados no período, 47% estão concentrados em bancos e instituições financeiras. É exatamente esse segmento que o governo federal mira com o Desenrola 2.0, programa lançado nesta semana por medida provisória já em vigor.
Desemprego responde por 38% das dívidas com bancos
Pesquisa do Serasa com 1.904 pessoas em abril traçou o perfil dos endividados no setor financeiro. O desemprego ou a perda de renda é a causa principal, respondendo por 38% dos casos — revelando que a crise de crédito tem raízes no mercado de trabalho, não apenas no consumo impulsivo.
Outros 16% das dívidas bancárias decorrem de gastos emergenciais; 13% são atribuídas à desorganização financeira; 10% ao auxílio de familiares e amigos; e 7% a atrasos pontuais no pagamento.
O endividamento não se limita ao crédito formal. Segundo o Serasa, 21% das dívidas totais envolvem contas básicas — água, luz e gás — e 11,5% estão com o setor de serviços, formando um quadro de pressão financeira que ultrapassa os limites do sistema bancário.
O quadro apontado pela Serasa se soma a dados da CNC divulgados em abril, quando 80,4% das famílias brasileiras já declaravam dívidas — o maior índice desde 2010 —, com o cartão de crédito presente em 84,9% dos lares endividados.
Bancos aderem ao Desenrola 2.0, mas aguardam detalhes para operar
Apesar de confirmarem adesão ao programa, as instituições financeiras consultadas ainda não tinham data para iniciar as renegociações no momento da publicação. Os bancos aguardavam definições operacionais e ajustavam seus sistemas para viabilizar a implementação do Desenrola 2.0.
O acesso será feito pelos canais oficiais das próprias instituições — aplicativos, sites ou agências. A medida provisória que estabelece as regras já foi publicada e entrou em vigor.
Para garantir o programa, o governo anunciou o redirecionamento de até R$ 8 bilhões em recursos esquecidos em bancos para um fundo público que cobrirá eventuais calotes das dívidas renegociadas.
O Banco Central já havia sinalizado a dimensão do problema: quase 130 milhões de pessoas encerraram 2024 com alguma dívida junto ao sistema financeiro, com o rotativo do cartão de crédito acumulando quase R$ 400 bilhões.
