O governo federal anunciou nesta segunda-feira que vai redirecionar entre R$ 5 bilhões e R$ 8 bilhões em recursos esquecidos em bancos para financiar o Desenrola 2.0, novo programa de renegociação de dívidas.
O dinheiro será canalizado para um fundo público que servirá de garantia às instituições financeiras — cobrindo eventuais calotes de quem aderir ao programa.
Segundo levantamento do Banco Central divulgado no mês passado, ainda há R$ 10,55 bilhões parados nas tesourarias de bancos, sem que os donos os tenham reclamado.
O mecanismo de fundo público como garantia às instituições financeiras já havia sido anunciado na semana passada, quando o governo confirmou a liberação de R$ 4,5 bilhões do FGTS para quitar dívidas. Agora, os recursos esquecidos entram como camada adicional de proteção ao sistema.
O Ministério da Fazenda argumenta que esses valores, hoje retidos nas tesourarias bancárias, “passarão a gerar benefícios para todo o sistema financeiro, em especial para as famílias que renegociarem suas dívidas”.
Como funcionará o resgate dos valores esquecidos
Será publicado um edital específico dando prazo de 30 dias para que os titulares possam reclamar os recursos que ainda estão em seu nome nas instituições financeiras. Apenas após esse período de reivindicação, o saldo remanescente poderá ser destinado ao fundo do Desenrola 2.0.
Vale lembrar que o Banco Central já devolveu, até agora, R$ 14,14 bilhões a clientes que buscaram valores esquecidos — número superior ao saldo atual de R$ 10,55 bilhões ainda disponível.
O programa foi apresentado pelo presidente Lula em pronunciamento em cadeia nacional na véspera do Dia do Trabalhador, com descontos de até 90% e possibilidade de uso de até 20% do FGTS. O detalhamento sobre os recursos esquecidos foi divulgado nesta segunda-feira pelo Ministério da Fazenda.
Impacto para famílias endividadas
A lógica do fundo público é destravar crédito para quem mais precisa: ao garantir às instituições financeiras que eventuais inadimplências serão cobertas, o governo viabiliza descontos maiores nas negociações — o que torna o programa atrativo tanto para os bancos quanto para os devedores.
O Desenrola 2.0 mira especialmente famílias de menor renda com dívidas de cartão de crédito, cheque especial e outras modalidades de alto custo. A combinação de recursos do FGTS com os valores esquecidos representa uma estrutura inédita de garantia pública para renegociação de dívidas no país.
