A Casa Branca confirmou nesta terça-feira (5) que Donald Trump receberá o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em Washington na quinta-feira (7), em uma chamada “visita de trabalho” — formato menos protocolar do que uma reunião bilateral tradicional.
O encontro está marcado para as 11h locais (12h de Brasília). Lula deve embarcar na quarta-feira (6) e chegar à capital americana às 20h10 no horário local.
Pauta econômica e de segurança
Segundo a Casa Branca, os dois presidentes devem discutir temas econômicos, de segurança e de interesse comum. Do lado brasileiro, fontes do governo apontam que a situação na Venezuela, minerais críticos e terras raras também devem figurar na agenda.
O vice-presidente Geraldo Alckmin disse, em entrevista à GloboNews, que vê o encontro como oportunidade para esclarecer o funcionamento do PIX e buscar um “bom entendimento” entre os dois países. A disputa comercial de fundo vem de longe: em abril, delegações dos dois países já negociavam em Washington no âmbito da investigação da Seção 301, que apontou o sistema de pagamentos brasileiro como barreira a empresas americanas — tema que Alckmin prometeu esclarecer no encontro.
Outro ponto sensível é o combate ao crime organizado. Auxiliares de Lula afirmam que o presidente pretende afastar a hipótese de equiparar facções como CV e PCC a organizações terroristas internacionais — classificação já ventilada pela administração americana.
Caminho até a reunião
A viagem é fruto de uma aproximação que ganhou tração em 26 de janeiro de 2026, quando Lula e Trump conversaram por telefone por cerca de 50 minutos e manifestaram o desejo de um encontro “olho no olho” para resolver divergências diretamente.
O encontro estava previsto para março, mas a guerra no Oriente Médio adiou a definição da agenda. O caminho até a Casa Branca não foi sem percalços: a prisão do ex-deputado Alexandre Ramagem pelo ICE e a posterior expulsão cruzada de policiais dos dois países marcaram as semanas que antecederam o encontro.
Lula também fez críticas a Trump pelos ataques americanos ao Irã, elevando o tom das declarações. Mais recentemente, porém, o presidente se solidarizou com o americano após um atentado durante um jantar com jornalistas em Washington — gesto que ajudou a destravar o calendário diplomático.
A reunião é vista pela diplomacia brasileira como um passo importante para normalizar as relações comerciais entre os dois países, após um período marcado por tarifas de importação e incertezas bilaterais.
