O Ministério das Relações Exteriores do Irã afirmou nesta sexta-feira (17) que o estoque de urânio enriquecido do país não será transferido para terceiros — contradizendo diretamente o presidente americano, Donald Trump.
Trump havia declarado que Teerã concordara em entregar o material nuclear. Mais cedo, publicou em rede social que os EUA vão obter toda a “poeira” nuclear criada pelos bombardeiros B-2, em referência a material supostamente enterrado após ataques americanos no ano passado.
A divergência sobre o destino do material nuclear foi o ponto central do fracasso das negociações realizadas em Islamabad, no Paquistão, no último final de semana. O cessar-fogo de duas semanas foi firmado em 7 de abril, quando Teerã confirmou a trégua mediada pelo Paquistão — o mesmo país que sediou as tratativas frustradas. Estados Unidos e Irã seguem sem um acordo de paz definitivo.
Apesar do impasse, Trump afirmou nesta sexta à agência Bloomberg que um acordo definitivo para o fim da guerra está “quase fechado”. Nos últimos dias, a imprensa internacional relatou que Washington teria proposto ao Irã um compromisso de não desenvolver armas nucleares por duas décadas — mas na quinta-feira (16), Trump negou que o possível acordo estaria sujeito a esse limite de 20 anos.
Por que o urânio enriquecido está no centro do conflito
O urânio natural contém apenas 0,72% da variante U-235, usada tanto como combustível quanto na fabricação de armas. O enriquecimento — feito em centrífugas com hexafluoreto de urânio — eleva essa concentração. Entre 3% e 5%, o material abastece usinas nucleares; acima de 20%, serve à pesquisa. Quando atinge cerca de 90%, pode ser usado em armas nucleares. Por isso, o processo é monitorado pela Agência Internacional de Energia Atômica.
Na mesma semana do cessar-fogo, Trump havia declarado publicamente que os dois países iriam “escavar e remover todo o material nuclear profundamente enterrado” — exatamente o que o governo iraniano agora nega. A publicação desta sexta sobre a “poeira nuclear” dos B-2 retoma esse discurso e aprofunda a tensão em torno do tema.
O impasse evidencia a distância entre as narrativas dos dois governos em pontos que deveriam ser a base de qualquer acordo. Enquanto Washington projeta uma resolução iminente, Teerã mantém posição firme sobre a soberania do seu programa nuclear — sinalizando que o caminho até a paz definitiva ainda enfrenta obstáculos substantivos.
