Política

Trump contradiz Irã e nega que Teerã vai enriquecer urânio no acordo nuclear

Presidente americano diz que 'muitos pontos já foram acordados', mas versões de Washington e Teerã seguem divergentes
Retrato de Trump ao lado da bandeira do Irã representando negociações sobre acordo nuclear e enriquecimento de urânio

O presidente Donald Trump contradisse nesta quarta-feira (8) uma declaração oficial do Irã ao negar que Teerã terá o direito de enriquecer urânio em qualquer acordo entre os dois países.

Horas antes, o regime iraniano comunicara que Washington havia concordado com a continuidade do enriquecimento — versão que Trump rejeitou publicamente, afirmando que “muitos pontos já foram acordados” e que o estoque nuclear iraniano será retirado do país em conjunto pelos dois lados.

Negociadores de EUA e Irã se reúnem na sexta-feira (10) em Islamabad, no Paquistão, para retomar as tratativas em torno de um acordo definitivo de paz.

Trump não detalhou como ocorreria a retirada do material radioativo. Segundo a ONU, parte do estoque está enterrada abaixo da instalação nuclear de Isfahan. A declaração pode se referir aos 440 kg de urânio enriquecido a 60% — próximo ao nível de ogiva nuclear — mantido por Teerã.

O presidente americano também não especificou quais pontos de uma proposta americana de 15 termos já teriam sido aceitos. Os 15 pontos que os EUA agora dizem estar quase todos acordados foram rejeitados pelo Irã no fim de março, quando Teerã classificou a proposta como fora da realidade e excessiva.

Plano iraniano de 10 pontos como base

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, confirmou que um acordo havia sido fechado e que Teerã vai suspender ações defensivas desde que os ataques ao país sejam interrompidos. Segundo ele, os EUA aceitaram o plano de 10 pontos do Irã como base para o diálogo. Entre as exigências iranianas estão o fim das sanções americanas, pagamento de compensação integral e liberação de todos os ativos congelados do país.

A contradição de Trump surge um dia depois de Teerã ter confirmado o acordo de cessar-fogo e delineado suas condições — incluindo a declaração iraniana de que Washington aceitou o plano de 10 pontos como fundamento para o diálogo. O regime não se manifestou oficialmente sobre a nova publicação do presidente americano até o fechamento desta reportagem.

O vice-presidente dos EUA, J.D. Vance, disse nesta quarta-feira que Trump está “impaciente” por progresso nas negociações e que um acordo será alcançado caso o Irã negocie “em boa fé”, sem detalhar o que isso significa na prática.

Bombardeios antecederam o anúncio da trégua

Antes do cessar-fogo, ataques foram registrados em diversas frentes no Oriente Médio. Os EUA bombardearam a ilha de Kharg, que concentra cerca de 90% da produção de petróleo iraniana, mas preservaram as áreas de extração. Israel também declarou ter realizado “amplos ataques” em território iraniano, atingindo pontes, ferrovias, aeroportos e edifícios — incluindo uma ponte em Qom e uma petroquímica.

O Irã reagiu convocando a população a formar escudos humanos ao redor de usinas e declarou o fim da fase de “boa vizinhança” com países do Golfo. Ataques foram lançados contra Emirados Árabes Unidos, Catar e Bahrein.

A trégua de duas semanas citada por Trump foi anunciada na véspera, quando o presidente condicionou a suspensão dos ataques à abertura ‘completa, imediata e segura’ do Estreito de Ormuz — exigência que Teerã aceitou em menos de 24 horas. Israel também fará parte da trégua, com a mídia israelense indicando que o cessar-fogo se estende ao Líbano.

A TV estatal iraniana classificou o acordo como um “recuo humilhante de Trump” e ressaltou que a trégua não representa o fim da guerra.

escrito com o apoio da inteligência artificial
este texto foi gerado por IA sob curadoria da equipe do Tropiquim.
todos os fatos foram verificados com rigor.
Leia mais

Fachin nega crise com Legislativo após CPI rejeitar indiciamento de ministros do STF

Irã rejeita transferência de urânio enriquecido e contradiz Trump

Durigan admite transição na escala 6×1, mas barra custo para o Tesouro

Governo abre para transição no fim da 6×1, mas descarta desoneração