O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta quarta-feira (8) tarifas extras de 50% sobre produtos de qualquer país que comercialize armas militares com o Irã. A medida chega em paralelo a um cessar-fogo de duas semanas firmado entre as partes.
Na mesma declaração, Trump afirmou que as negociações com Teerã já têm 15 pontos acordados, negou que o Irã seguirá enriquecendo urânio e sinalizou que os dois países trabalharão juntos para remover o estoque nuclear iraniano.
Cessar-fogo e reabertura do Ormuz
O acordo de pausa nos ataques, anunciado na terça-feira, prevê suspensão dos bombardeios ao território iraniano por duas semanas. Em troca, o Irã se comprometeu a reabrir o Estreito de Ormuz — rota por onde passa cerca de 20% do petróleo consumido no mundo.
A sequência é direta: Trump havia condicionado a suspensão dos ataques à abertura ‘completa, imediata e segura’ do Estreito — e o cumprimento dessa exigência por Teerã abriu caminho para a rodada atual de negociações comerciais e nucleares.
O que Trump disse sobre o acordo nuclear
Em publicação no Truth Social, Trump afirmou que os EUA e o Irã irão “escavar e remover todo o material nuclear profundamente enterrado”, citando os bombardeiros B-2 e a vigilância por satélite da Força Espacial americana sobre os sites afetados.
“Não haverá enriquecimento de urânio”, escreveu Trump, acrescentando que as duas nações também estão discutindo “tarifas e alívio de sanções”. Segundo ele, o Irã teria passado por uma “mudança de regime que será muito produtiva”.
Virada em menos de uma semana
A velocidade da transformação diplomática é notável. Menos de uma semana atrás, Trump descartava qualquer possibilidade de cessar-fogo e previa intensificação dos bombardeios nas próximas semanas — o que torna o anúncio desta quarta uma das guinadas mais abruptas do conflito.
Agora, além de negociar o desarmamento nuclear, Washington passa a usar o comércio como ferramenta de contenção: a tarifa de 50% funciona como um aviso a Rússia, China e outros fornecedores de armamentos a Teerã de que apoiar o Irã militarmente terá custo econômico direto com os EUA.
O alívio de sanções mencionado por Trump, por sua vez, abre perspectiva de normalização econômica com o Irã — o que teria impacto direto sobre os preços globais do petróleo caso o Estreito de Ormuz permaneça aberto de forma estável.
