Política

Câmara cria crime específico para quem mata filhos para punir a mãe

Homicídio vicário terá pena de 20 a 40 anos e entra no rol de crimes hediondos; proposta vai ao Senado
Câmara dos Deputados aprova projeto de lei que cria homicídio vicário como crime hediondo com pena de 20 a 40 anos

A Câmara dos Deputados aprovou, nesta quarta-feira (18), projeto de lei que cria o chamado homicídio vicário no Código Penal — o assassinato de filhos, pais ou dependentes diretos de uma mulher com o objetivo deliberado de lhe causar sofrimento, punição ou controle.

O crime será classificado como hediondo e enquadrado no rol de violência doméstica. As penas vão de 20 a 40 anos de reclusão. A proposta segue agora para análise do Senado Federal.

O que motiva o projeto

A votação foi impulsionada por crimes em que crianças são assassinadas como instrumento de punição às mães. O caso mais emblemático foi o de um secretário municipal de Itumbiara (GO) que matou dois filhos e tirou a própria vida após a mãe das crianças pedir separação.

A lógica do homicídio vicário é usar dependentes vulneráveis como alvos para atingir, controlar ou vingar-se de uma mulher. O projeto nomeia essa dinâmica como crime autônomo, com tipificação própria no Código Penal.

Penas e enquadramentos

Além da pena-base de 20 a 40 anos de reclusão, o texto prevê aumento adicional de um terço até a metade do tempo fixado na sentença. O enquadramento simultâneo na Lei de Crimes Hediondos e no rol de violência doméstica endurece tanto o julgamento quanto as condições de cumprimento da pena.

A aprovação integra uma série de medidas recentes: na semana anterior, a Câmara já havia aprovado projeto que torna obrigatória a tornozeleira eletrônica para agressores de mulheres em situação de risco.

Críticas e polêmica durante a votação

Deputados de direita questionaram o escopo da nova lei, argumentando que o tipo penal deveria ser neutro em relação ao gênero. A bancada conservadora criticou a impossibilidade de aplicar o mesmo enquadramento a mulheres que pratiquem crimes semelhantes como forma de punição a homens.

A maioria que aprovou o texto sustentou que o homicídio vicário é, por definição, uma extensão do feminicídio — motivado pelo controle e punição de mulheres — e que a legislação deve refletir essa realidade estatística e social.

O debate se insere em um padrão mais amplo reconhecido pela própria Câmara: dias antes da votação, deputados pediam à PGR a investigação de vídeos virais em que homens simulam agredir mulheres após receberem um ‘não’, sinalizando que a Casa identifica um continuum de comportamentos coercitivos que vai da intimidação ao assassinato.

O projeto tramita agora no Senado Federal, onde deverá enfrentar novos embates sobre o recorte de gênero da legislação.

A Redação Tropiquim é responsável pela curadoria e edição do conteúdo do portal, sob direção editorial de Giulia Gigli. Reunimos o que importa no noticiário brasileiro e entregamos com clareza, contexto e um olhar que acredita no Brasil — sempre com curadoria e supervisão editorial humana. Cada publicação passa por critérios de relevância, precisão e atribuição de fontes.
Escrito com o apoio da inteligência artificial
Este texto foi gerado por IA sob curadoria da equipe do Tropiquim.
todos os fatos foram verificados com rigor.
Leia mais

Câmara aprova punição mais dura para preso que ameaçar mulher em saída temporária

Câmara aprova aumento do tempo mínimo para progressão de regime em crimes hediondos

Câmara aprova crimes de pedofilia como hediondos e proíbe fiança

Alckmin sanciona lei que endurece punição para ataques em escolas

Câmara aprova urgência para corrigir brecha na Lei Antifacção que beneficiaria faccionados

Câmara aprova lei que impede agressor de se aproximar da vítima mesmo com consentimento