Política

Câmara aprova urgência para corrigir brecha na Lei Antifacção que beneficiaria faccionados

Falha deixou quatro crimes ultraviolentos fora da Lei de Crimes Hediondos, permitindo progressão de regime mais fácil que em delitos menos graves
Câmara dos Deputados aprova urgência para corrigir falha lei antifacção crimes hediondos

A Câmara dos Deputados aprovou nesta terça-feira (9) a urgência de um projeto para corrigir uma falha jurídica grave na Lei Antifacção: quatro crimes criados pela legislação — homicídio, latrocínio, extorsão e extorsão mediante sequestro na forma ultraviolenta — ficaram de fora da Lei de Crimes Hediondos.

A omissão, identificada pelo Ministério Público, permitiria que condenados por esses delitos progredissem de regime mais rapidamente do que réus de crimes considerados menos graves — um paradoxo que o projeto de Guilherme Derrite (PP-SP) agora busca sanar.

A falha foi apontada pela Fundação Escola Superior do Ministério Público do Estado de Mato Grosso (FESMP-MT) em ofício enviado aos presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). O documento, revelado pela Folha de S. Paulo e confirmado pela GloboNews, detalha o contrassenso jurídico criado pelo texto.

Na prática, um condenado por homicídio doloso ultraviolento — com pena entre 20 e 40 anos — poderia progredir de regime em percentuais menores, pedir livramento condicional e acessar benefícios vedados aos crimes hediondos. Já um réu de homicídio qualificado ordinário, cuja pena mínima é de 12 anos, estaria sujeito ao regime mais rigoroso por já constar da lista dos hediondos.

O que o projeto corrige

O texto de Derrite inclui os quatro novos tipos penais ultraviolentos na Lei de Crimes Hediondos, equiparando seu tratamento ao de outros crimes graves. Na justificativa, o deputado afirma que a proposta “assegura que crimes de máxima gravidade, especialmente os praticados no contexto do crime organizado ultraviolento, recebam resposta penal compatível com sua elevada lesividade social”.

Com a urgência aprovada, o projeto pode ir direto ao plenário sem passar pelas comissões. Ainda não há data para votação, pois a pauta da Câmara está travada pela urgência do Executivo ao projeto que regulamenta o fim da escala 6×1.

O senador Alessandro Vieira (MDB-SE), relator da Lei Antifacção no Senado, afirma que a falha foi introduzida pelos deputados na Câmara, eliminada pelos senadores e reincorporada quando o texto voltou à Câmara para análise final.

“O texto do Senado não teria esse problema, porque facções e milícias entravam no guarda-chuva de Orcrim. O problema é que a Câmara criou o tipo por fora e não promoveu as alterações”, disse Vieira.

A falha na progressão de regime não é acidente isolado no histórico recente da legislação. O Congresso já havia recusado equiparar CV e PCC a organizações terroristas meses antes, revelando as dificuldades do Legislativo em construir um marco jurídico coeso para o combate ao crime organizado — e a decisão de Derrite de criar tipos penais fora do guarda-chuva da Lei de Organizações Criminosas, segundo o próprio Vieira, está na raiz do problema que agora se tenta corrigir.

A Lei Antifacção foi aprovada pelo Congresso em fevereiro e sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em março como marco legal para o enfrentamento do crime organizado no Brasil.

escrito com o apoio da inteligência artificial
este texto foi gerado por IA sob curadoria da equipe do Tropiquim.
todos os fatos foram verificados com rigor.
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