O braço armado do Hamas declarou neste domingo (28) que perdeu contato com dois reféns, Matan Angrest e Omri Miran, durante intensos bombardeios israelenses à Cidade de Gaza nas últimas 48 horas.
As Brigadas al-Qassam afirmaram ter solicitado a suspensão dos ataques aéreos por 24 horas para retirar os reféns do perigo. O conflito se intensificou após o início de uma nova ofensiva israelense na região.
Ofensiva israelense e situação dos reféns
Segundo comunicado divulgado pelas Brigadas al-Qassam, o Hamas perdeu contato com os reféns durante os recentes bombardeios israelenses à Cidade de Gaza. O grupo afirmou que exigiu de Israel uma pausa de 24 horas nos ataques aéreos, a partir das 18h, em parte da cidade, para garantir a segurança dos reféns.
O episódio ocorre em meio à intensificação dos combates na Faixa de Gaza. No início da semana, o gabinete de Netanyahu aprovou um plano para tomar toda a região, começando pela Cidade de Gaza, que abriga quase metade da população local. Testemunhas relataram uma série de ataques aéreos durante a noite de segunda-feira (15), seguidos pelo avanço de tropas israelenses.
A ofensiva terrestre foi lançada após reunião entre o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, e Netanyahu. Fontes do governo israelense, citadas pelo site americano “Axios”, disseram que o presidente Donald Trump apoia a operação, desde que seja rápida. Trump afirmou ter recebido informações sobre o uso de reféns como “escudos humanos” pelo Hamas.
Na semana anterior, o Hamas divulgou um vídeo mostrando dois reféns israelenses circulando de carro pela Cidade de Gaza. No domingo (14), a agência Reuters reportou a intensificação dos ataques aéreos, com mais de 30 prédios residenciais destruídos. Israel declarou que o objetivo é eliminar o “último bastião” do Hamas na cidade, onde vivem cerca de 1 milhão de pessoas.
Repercussão internacional e contexto do conflito
Além da ofensiva em Gaza, Israel realizou um ataque em Doha, no Catar, contra lideranças do Hamas. O Catar é um dos mediadores para um possível acordo de cessar-fogo. O bombardeio gerou crise regional e foi condenado por parte da comunidade internacional, incluindo a ONU.
A guerra entre Israel e o Hamas teve início em outubro de 2023, após um ataque do grupo matar mais de 1.200 pessoas no sul de Israel e sequestrar centenas. Desde então, a ofensiva israelense resultou em mais de 63 mil mortes de palestinos em Gaza, a maioria civis, segundo o Ministério da Saúde local, controlado pelo Hamas.
O cenário permanece tenso, com negociações de cessar-fogo em andamento e denúncias de uso de reféns como estratégia de guerra. A situação humanitária continua crítica, com destruição de infraestrutura e deslocamento em massa da população.