A ONU alertou neste domingo (7) que há uma “janela estreita” para evitar que a fome se espalhe ainda mais em Gaza, onde ataques israelenses intensificam a crise humanitária. A organização pede que Israel permita a entrada de ajuda sem obstáculos, enquanto centenas de milhares de palestinos já enfrentam escassez de alimentos.
Segundo um monitor global da fome, áreas como a Cidade de Gaza correm risco elevado de insegurança alimentar. Israel afirma estar facilitando a entrada de suprimentos, mas agências internacionais consideram a ajuda insuficiente.
Crise humanitária e ofensiva militar
Os recentes ataques israelenses à Cidade de Gaza têm causado destruição significativa, prejudicando a infraestrutura e dificultando o acesso da população a alimentos e suprimentos básicos. No mês passado, Israel atacou os arredores da cidade e atualmente suas forças estão a poucos quilômetros do centro urbano, principal alvo da nova ofensiva contra o Hamas.
Nesta semana, o governo israelense emitiu avisos para que civis evacuassem prédios altos supostamente usados pelo Hamas, antes de bombardeá-los. Israel, no entanto, não apresentou evidências de que o grupo militante utilizava os edifícios, acusação negada pelo Hamas.
Durante a noite, ataques deixaram 14 mortos na cidade, segundo autoridades de saúde locais. Entre os alvos, uma escola no sul da Cidade de Gaza que abrigava palestinos desabrigados foi atingida. Militares israelenses afirmaram ter atingido um militante do Hamas e disseram que civis foram avisados antes do ataque.
Alerta da ONU e resposta internacional
Tom Fletcher, chefe de Ajuda da ONU, afirmou que há uma “janela estreita — até o final de setembro — para impedir que a fome chegue a Deir al Balah (centro de Gaza) e Khan Younis (sul de Gaza)”. Ele ressaltou que essa janela está se fechando rapidamente.
Segundo um monitor global da fome, centenas de milhares de palestinos já enfrentam escassez de alimentos ou correm risco de passar fome nas principais cidades do enclave. Organizações humanitárias pedem cessar-fogo imediato para permitir a entrada de ajuda e evitar uma catástrofe ainda maior.
Israel suspendeu a ajuda humanitária por 11 semanas, entre março e meados de maio, mas afirma que atualmente está facilitando a entrada e distribuição de suprimentos para evitar a escassez. A COGAT, agência de defesa israelense responsável por questões humanitárias, informou que, na semana passada, foram distribuídos mais de 1.900 caminhões de ajuda em Gaza, a maioria com alimentos. Apesar disso, agências internacionais alertam que a assistência ainda é insuficiente diante do agravamento da crise.