Os arredores leste e norte da Cidade de Gaza foram alvo de ataques de aviões e tanques israelenses entre sábado (23) e domingo (24), destruindo casas e prédios, segundo relatos de moradores. Autoridades de Israel afirmaram que a ofensiva continuará, visando o controle da cidade, considerada o último bastião do Hamas.
Testemunhas descreveram explosões intensas nos bairros de Zeitoun, Shejaia e Sabra, além de destruição em Jabalia. Militares israelenses informaram que a operação busca desmantelar túneis e impedir o retorno de combatentes do Hamas.
Ofensiva planejada e negociações
O governo de Israel aprovou neste mês um plano para tomar o controle da Cidade de Gaza, com previsão de implementação total nas próximas semanas. O objetivo é enfraquecer o Hamas e garantir que o grupo não retome operações na região. Segundo o ministro da Defesa, Israel Katz, a cidade será “arrasada” caso o Hamas não aceite encerrar a guerra e libertar todos os reféns.
Enquanto isso, mediadores do Egito e Catar tentam avançar em negociações para um cessar-fogo. O plano em discussão prevê uma trégua de 60 dias, a libertação de 10 reféns vivos e 18 corpos, além da soltura de cerca de 200 prisioneiros palestinos. Após o início do cessar-fogo temporário, as partes negociariam um acordo permanente para o retorno dos reféns restantes.
O Hamas declarou que o plano de Israel demonstra falta de seriedade em relação ao cessar-fogo e responsabilizou o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu pelas vidas dos reféns. Netanyahu, por sua vez, classificou como “mentira descarada” as denúncias de fome generalizada feitas por organizações humanitárias.
Impacto sobre a população civil
Cerca de metade dos dois milhões de habitantes de Gaza permanece na capital, muitos já deslocados diversas vezes. Mohammad, de 40 anos, relatou: “Nenhum lugar é seguro, mas não posso correr o risco. Se eles começarem a invasão de repente, usarão fogo pesado.” Outros, como Aya, de 31 anos, mãe de oito filhos, afirmam não ter condições de deixar suas casas: “Estamos com fome e medo e não temos dinheiro.”
Segundo um grupo de monitoramento global, a fome já atinge oficialmente Gaza e tende a se espalhar. O Ministério da Saúde local informou que neste domingo mais oito pessoas morreram de desnutrição, elevando para 289 o total de mortes por fome desde o início do conflito, incluindo 115 crianças. Israel contesta esses números e afirma ter ampliado a ajuda humanitária desde julho.
A guerra começou em 7 de outubro de 2023, após o ataque do Hamas ao sul de Israel, que deixou 1.200 mortos e 251 reféns. Desde então, a ofensiva israelense já causou pelo menos 62.000 mortes de palestinos, segundo o Ministério da Saúde de Gaza, e provocou deslocamento em massa e destruição generalizada.