Política

Israel avança com ofensiva terrestre em Gaza e milhares de palestinos fogem

Tropas israelenses cercam Cidade de Gaza e ONU e Cruz Vermelha alertam para desastre humanitário iminente

Milhares de palestinos estão deixando a Cidade de Gaza após o início das operações terrestres israelenses, aprovadas em 19/08. O Exército de Israel estabeleceu bases nos arredores da cidade, com apoio de 60 mil reservistas, visando capturar toda a região. Autoridades internacionais, como a ONU e o CICV, alertam para o agravamento da crise humanitária.

Ofensiva terrestre e reações internacionais

As tropas israelenses já operam nos bairros de Zeitoun e Jabalia, preparando o terreno para a ofensiva. O ministro da Defesa, Israel Katz, aprovou o plano, que será apresentado ao gabinete de segurança. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu afirmou que está “encurtando os prazos” para eliminar os “últimos redutos do terrorismo” em Gaza. Segundo o porta-voz das Forças de Defesa de Israel, brigadeiro-general Effie Defrin, o Hamas estaria “devastado e machucado” após 22 meses de guerra. Defrin destacou que as forças já controlam os arredores da cidade e localizaram túneis subterrâneos com armas em Zeitoun.

O Hamas acusa Israel de continuar uma “guerra brutal contra civis inocentes” e critica o desprezo por propostas de cessar-fogo. Israel ainda não respondeu formalmente à última proposta apresentada por mediadores regionais, como Catar e Egito, que sugerem uma trégua de 60 dias e a libertação de parte dos reféns.

Alerta humanitário

O Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) e a ONU alertam para o risco de agravamento de uma situação já “catastrófica” para os 2,1 milhões de habitantes de Gaza. O CICV pede cessar-fogo imediato e passagem livre para ajuda humanitária, destacando que “qualquer intensificação adicional das operações militares só vai aprofundar o sofrimento” e ameaçar uma crise humanitária irreversível.

Deslocamento e vítimas civis

A expectativa é que centenas de milhares de palestinos recebam ordens para deixar a Cidade de Gaza e buscar abrigo no sul, enquanto ataques e disparos israelenses já mataram 25 pessoas na quarta-feira, incluindo três crianças e seus pais. A Defesa Civil de Gaza, administrada pelo Hamas, relata situação “muito perigosa e insuportável” em bairros como Zeitoun e Sabra.

Reféns e negociações

As FDI afirmam agir para evitar danos aos 50 reféns ainda mantidos pelo Hamas, dos quais se acredita que 20 estejam vivos. Famílias temem pela segurança dos reféns em meio à ofensiva terrestre. O secretário-geral da ONU pede a libertação incondicional dos reféns.

Contexto do conflito

A ofensiva israelense foi lançada após o ataque do Hamas ao sul de Israel em 7 de outubro de 2023, que resultou em cerca de 1,2 mil mortos e 251 sequestrados. Desde então, segundo o Ministério da Saúde de Gaza, ao menos 62.122 pessoas morreram no território, número citado como referência pela ONU e outras organizações.

Condenações e perspectivas

Líderes internacionais, como o presidente da França, Emmanuel Macron, condenam o plano israelense e alertam para o risco de “um ciclo de guerra permanente” na região. O Hamas acusa Netanyahu de ser o “verdadeiro obstáculo a qualquer acordo”. Israel insiste em um acordo abrangente que liberte todos os reféns, rejeitando soluções parciais.

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