Política

Bombardeios israelenses em subúrbios de Gaza deixam 18 mortos e aumentam tensão

Ataques intensificam crise humanitária e expulsam famílias enquanto Israel planeja ofensiva para tomar a cidade

Forças israelenses bombardearam subúrbios da Cidade de Gaza entre sábado (30) e domingo, matando pelo menos 18 pessoas, segundo autoridades locais.

Os ataques destruíram casas, expulsaram famílias e ocorreram em meio a planos do premiê Benjamin Netanyahu para tomar a cidade.

Entre as vítimas, 13 pessoas foram mortas ao tentar obter alimentos perto de um ponto de ajuda no centro da Faixa de Gaza.

Moradores do bairro de Sheikh Radwan, um dos maiores da Cidade de Gaza, relataram bombardeios contínuos de tanques e ataques aéreos durante todo o fim de semana, forçando a população a buscar abrigo nas regiões ocidentais da cidade. Os militares israelenses vêm ampliando suas operações nas últimas três semanas e, na sexta-feira, suspenderam pausas temporárias que permitiam a entrega de ajuda, classificando a área como uma “zona de combate perigosa”.

Segundo Rezik Salah, pai de dois filhos e morador de Sheikh Radwan, “eles estão se arrastando para o coração da cidade, onde centenas de milhares de pessoas estão abrigadas, do leste, do norte e do sul, enquanto bombardeiam essas áreas do ar e do solo para assustar as pessoas e fazê-las sair”.

O gabinete de segurança do premiê Netanyahu se reuniu neste domingo para discutir os próximos estágios dos ataques, visando tomar a Cidade de Gaza, considerada o último bastião do Hamas. Uma ofensiva em larga escala, porém, não é esperada para as próximas semanas, pois Israel afirma querer retirar a população civil antes de avançar com mais forças terrestres.

No sábado, a chefe da Cruz Vermelha, Mirjana Spoljaric, alertou que a evacuação da cidade provocaria um deslocamento massivo de pessoas, sem que outras áreas da Faixa de Gaza tenham capacidade para absorver a população, devido à devastação, à escassez de alimentos, abrigo e suprimentos médicos. Ghada, mãe de cinco filhos do bairro de Sabra, relatou: “As pessoas que têm parentes no sul partiram para ficar com eles. Outros, inclusive eu, não encontraram espaço, pois Deir Al-Balah e Mawasi estão superlotados”.

Atualmente, cerca de metade dos mais de 2 milhões de habitantes da Palestina está na Cidade de Gaza. Estima-se que milhares já tenham migrado para áreas centrais e ao sul do território. As forças armadas de Israel alertaram seus líderes sobre o risco aos reféns mantidos pelo Hamas devido à ofensiva. Protestos em Israel pelo fim da guerra e pela libertação dos reféns têm crescido, com grandes manifestações em Tel Aviv e diante das casas de ministros.

Segundo autoridades de saúde palestinas, a campanha militar de Israel já matou mais de 63 mil pessoas, a maioria civis, mergulhando Gaza em uma crise humanitária e deixando grande parte do território em ruínas.

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