O Banco Central reduziu a estimativa de crescimento do PIB para 2% em 2024, segundo relatório divulgado nesta quinta-feira (25). Para 2026, ano eleitoral, a projeção é de expansão de apenas 1,5%, o pior resultado em seis anos.
O cenário de desaceleração é atribuído à manutenção dos juros elevados para conter a inflação, com a taxa Selic mantida em 15% ao ano. O mercado espera cortes apenas em 2026.
Cenário econômico e projeções do Banco Central
O Banco Central apontou que a estimativa de crescimento do PIB para 2024 caiu de 2,1% para 2%. Em 2026, a projeção de 1,5% reflete a expectativa de juros altos, baixo nível de ociosidade dos fatores de produção, desaceleração global e ausência do impulso agropecuário observado em 2025. É a primeira vez que a instituição divulga uma estimativa para o PIB do ano eleitoral.
Segundo o BC, o crescimento projetado para 2026 será o menor desde 2020, quando houve retração de 3,3% devido à Covid-19. O relatório destaca que o “hiato do produto” permanece positivo, indicando que a economia opera acima do potencial sem pressionar a inflação, mas o ritmo de atividade deve desacelerar para conter pressões inflacionárias.
Juros elevados e impactos
O Comitê de Política Monetária (Copom) manteve a Selic em 15% ao ano, maior nível em quase 20 anos, e sinalizou manutenção prolongada dos juros. O BC já observa efeito positivo da queda do dólar sobre a inflação, mas projeta cortes apenas a partir de 2026. A instituição monitora a inflação projetada para 12 meses até o primeiro trimestre de 2027, devido ao efeito defasado da política monetária.
Repercussão política e fiscal
Declarações do ministro Haddad
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou nesta semana que há espaço para redução dos juros e que a Selic “nem deveria estar no atual patamar de 15%” ao ano. Haddad destacou que parte do mercado compartilha essa opinião e reiterou o objetivo da equipe econômica de buscar expansão do PIB acima de 3% ao ano.
O governo Lula, que busca reeleição em 2026, teme o impacto da desaceleração sobre emprego e renda. A queda na atividade econômica já influencia negativamente a arrecadação federal, que recuou 1,5% em agosto na comparação anual, segundo a Receita Federal. Claudemir Malaquias, chefe do Centro de Estudos Tributários, apontou que a desaceleração, causada pelos juros elevados, impacta diretamente a arrecadação e pode dificultar o cumprimento da meta fiscal, exigindo bloqueios de despesas em ano eleitoral.
Inflação e metas
O BC reduziu a estimativa de inflação para 2025 de 4,9% para 4,8%, mas manteve projeções acima da meta central de 3% para 2026 (3,6%) e 2027 (3,2%). Com a inflação acima do teto da meta por seis meses até junho, o presidente do BC, Gabriel Galípolo, enviou carta pública ao ministro Haddad explicando o descumprimento, atribuindo o resultado à atividade aquecida, variação cambial, custo da energia e anomalias climáticas.