Economia

Galípolo afirma que redução de juros e inflação exigirá medidas progressivas

Presidente do Banco Central descarta solução rápida e compara desafio ao período pós-Plano Real

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou nesta quarta-feira (9) que a redução dos juros e da inflação no Brasil demandará uma série de medidas progressivas, sem soluções rápidas ou “vitória por ippon”.

Durante audiência na Comissão de Finanças e Tributação da Câmara, Galípolo ressaltou que não existe “bala de prata” para resolver a situação atual, destacando a necessidade de ações graduais para alinhar juros e inflação à meta.

Ao iniciar sua fala, Gabriel Galípolo questionou como o Brasil pode conviver com taxas de juros mais próximas às de outros países emergentes e, ao mesmo tempo, manter a inflação dentro da meta. Ele comparou o cenário atual ao período do Plano Real, quando os efeitos das medidas foram sentidos rapidamente, destacando que, agora, o processo será mais lento e dependerá de múltiplas iniciativas.

Galípolo enfatizou: “Ninguém quer baixar os juros e ter uma inflação lá em cima. Você quer conviver com uma taxa de juros que possa produzir o mesmo efeito, do ponto de vista de conter a inflação, porém num patamar que possa ser mais próximo dos nossos pares”. Segundo ele, ao contrário do que ocorreu com o Plano Real, “não vai ter bala de prata, não vai ter uma vitória por ippon”.

Na última reunião do Copom, em 18 de junho, o Banco Central elevou a taxa Selic para 15% ao ano, decisão tomada por unanimidade entre os diretores e o presidente. O Copom justificou a cautela diante das incertezas na economia dos Estados Unidos, que afetam especialmente países emergentes como o Brasil.

Ciclo de altas e perspectivas

Após a elevação da Selic, a ata do Copom indicou que o Banco Central deverá interromper o ciclo de alta de juros, adotando uma postura de observação para avaliar se a taxa atual é suficiente para garantir a convergência da inflação à meta. O comunicado também ressaltou a dificuldade de prever os impactos do conflito no Oriente Médio sobre o preço do petróleo e a economia brasileira.

O presidente do Banco Central informou que enviará uma nova carta ao ministro da Fazenda, Fernando Haddad, sobre o descumprimento da meta de inflação em junho. Esta será a segunda vez que Galípolo comunicará oficialmente o desvio, já que a meta de 3%, com tolerância de 1,5 ponto percentual, foi ultrapassada.

Nos doze meses até maio, a inflação oficial atingiu 5,32%, acima do teto da meta. Para junho, o mercado projeta um IPCA de 0,27%, mantendo a inflação acumulada acima de 5% no período de doze meses. Segundo o Banco Central, a expectativa é que o IPCA retorne ao intervalo da meta apenas no primeiro trimestre de 2026, conforme relatório divulgado na semana passada.

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