O Banco Central enviou nesta quinta-feira (10) uma carta oficial ao Ministério da Fazenda explicando o motivo do estouro da meta de inflação em 2024.
O documento, assinado por Gabriel Galípolo, aponta dólar alto, custo da energia elétrica e economia aquecida como principais causas.
A inflação medida pelo IPCA atingiu 5,35% em 12 meses, acima do teto de 4,5% definido pelo Conselho Monetário Nacional.
Fatores que pressionaram a inflação
A carta do Banco Central detalha que o estouro da meta foi provocado por uma combinação de fatores. Entre eles, destacam-se a valorização do dólar frente ao real, que elevou o preço de bens importados e influenciou as expectativas de inflação, e o aumento do custo da energia elétrica, impulsionado por anomalias climáticas e mudanças na bandeira tarifária.
O documento também menciona o crescimento acima do esperado do PIB, com o mercado de trabalho aquecido, o que resultou em maior consumo das famílias e investimentos. Além disso, houve desancoragem das expectativas de inflação, especialmente no segundo semestre de 2024.
Outros itens que tiveram alta acima do previsto foram a gasolina, alimentos industrializados (com destaque para o café), vestuário e automóveis.
Descumprimento da meta contínua
Pela regra da meta contínua, em vigor desde janeiro, a inflação oficial deve permanecer dentro do intervalo de tolerância por seis meses consecutivos. Desde janeiro, o IPCA ficou acima do limite, levando ao descumprimento formal da meta após a divulgação do resultado de junho.
A carta aberta do Banco Central é uma exigência legal sempre que a inflação ultrapassa os limites definidos pelo Conselho Monetário Nacional. O índice oficial, o IPCA, ficou em 5,35% entre julho de 2024 e junho de 2025, superando o teto de 4,5%.
A meta para o período era de 3%, com tolerância entre 1,5% e 4,5%. O documento enviado ao ministro da Fazenda, Fernando Haddad, explica que a inflação persistente acima da meta se deveu, principalmente, à combinação de fatores internos e externos, incluindo questões climáticas e o cenário internacional desfavorável.
O episódio reforça o desafio do governo e do Banco Central em manter a inflação sob controle diante de choques externos, oscilações cambiais e eventos climáticos extremos. A expectativa é de que novas medidas sejam discutidas para conter pressões inflacionárias nos próximos meses.