O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou nesta terça-feira (8) que enviará uma nova carta ao ministro da Fazenda, Fernando Haddad, sobre o descumprimento da meta de inflação.
Galípolo fez o anúncio durante almoço com a Frente Parlamentar do Empreendedorismo, destacando que a medida será tomada no próximo mês.
Em janeiro, Galípolo já havia enviado carta semelhante, justificando o resultado por fatores como forte atividade econômica, desvalorização do real e extremos climáticos.
Entenda o descumprimento da meta
Esta será a segunda vez que Gabriel Galípolo comunicará formalmente o descumprimento da meta de inflação. A meta, fixada em 3%, possui uma faixa de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos, sendo considerada cumprida se a inflação variar entre 1,5% e 4,5%.
Pelo sistema de metas, cabe ao Banco Central calibrar os juros para manter a inflação dentro desse intervalo. A instituição trabalha com projeções futuras, já que a taxa Selic leva de seis a dezoito meses para impactar plenamente a economia.
Desde janeiro, a inflação acumulada em 12 meses é comparada com a meta e o intervalo de tolerância. Se a inflação ultrapassar esse limite por seis meses consecutivos, configura-se o descumprimento da meta.
Justificativas e postura do Banco Central
Na carta enviada em janeiro, Galípolo atribuiu o descumprimento a fatores como a forte atividade econômica, queda do real e extremos climáticos. Agora, reforça que é necessário perseguir a meta, sem abrir espaço para discussões sobre flexibilização.
Repercussão e posicionamento
Durante o encontro com parlamentares, Galípolo enfatizou que não há intenção de rediscutir a meta, pois isso teria um custo elevado para o país. Segundo ele, “dizer que você persegue a banda superior da meta significa mais tolerância com inflação, mais tolerância com a inflação significa que você é um país que está confortável com a sua moeda, ano a ano, perder mais valor”.
O presidente do Banco Central também afirmou: “Tenho plena consciência de que ao colocar a taxa de juros em 15% dificilmente eu e meus colegas do Copom vamos ganhar o Miss Simpatia de 2025, mas eu durmo muito tranquilo do que eu estou fazendo é cumprir a meta e perseguir a meta. Esse é o papel do Banco Central”.
O envio da nova carta reforça o compromisso institucional do Banco Central com o controle inflacionário, mesmo diante de pressões econômicas e políticas.