O Banco Central decidiu manter a Selic em 15% ao ano após reunião do Copom em 29 de setembro de 2025. A decisão, unânime, visa controlar a inflação diante de incertezas econômicas internas e externas.
Gabriel Galípolo, diretor de Política Monetária, afirmou que a postura do BC é de cautela e busca por evidências antes de alterar a taxa. O cenário inflacionário e o mercado de trabalho resiliente justificam a manutenção dos juros elevados.
Decisão do Copom e justificativas
O Comitê de Política Monetária (Copom) manteve a Selic em 15% ao ano, justificando a medida pelo ambiente externo instável e inflação acima da meta. A decisão foi tomada em reunião no dia 17 de setembro e anunciada em 29 de setembro de 2025. Segundo o Copom, a atividade econômica perdeu força, mas o mercado de trabalho segue aquecido, o que mantém pressões inflacionárias.
Gabriel Galípolo, diretor do BC, destacou em evento do Itaú que o Copom entrou em nova fase, mais focada em ‘esperar e recolher evidências sobre a convergência da inflação para a meta’. Ele ressaltou que sinais de desaceleração a partir de junho indicam suavização gradual da economia, mas a resiliência do emprego pressiona a inflação, especialmente de serviços.
Inflação e projeções
A meta do BC é levar a inflação em 12 meses para 3%, considerada cumprida se variar entre 1,5% e 4,5%. O boletim Focus mostrou projeções de inflação para 2025 e 2026 ainda acima da meta, mesmo com ligeira queda nas expectativas: 4,81% para 2025 e 4,28% para 2026.
O Copom avaliou que a recente queda do dólar e a desaceleração do crescimento econômico contribuem para o controle da inflação, mas as projeções seguem acima do desejado.
Mercado de trabalho e inflação de serviços
Galípolo afirmou que não há um único indicador para definir a política de juros e destacou a robustez do mercado de trabalho brasileiro, um dos melhores momentos das últimas três décadas. Mesmo com desaceleração econômica e deflação recente, a inflação de serviços segue pressionada, acumulando alta de 6,17% em 12 meses, acima do IPCA cheio e da meta.
Comparação internacional e postura do BC
O presidente do BC reconheceu que a taxa de 15% é alta, mas necessária para ancorar expectativas e garantir convergência da inflação. O Brasil tem o segundo maior juro real do mundo, atrás apenas da Turquia. Galípolo enfatizou que a missão do BC é ser ‘vigilante, sereno e persistente’, evitando agir com emoção e mantendo a Selic em nível restritivo pelo tempo necessário.
Segundo ele, ‘não existe atalho’ e a credibilidade do BC depende de manter a política monetária firme. ‘Cabe ao BC ancorar as expectativas e colocar a Selic em um nível suficientemente restritivo para assegurar a convergência da inflação para a meta. Não é função da autoridade monetária se antecipar a algo que não existe. Nossa missão é ser vigilantes e pacientes, sem agir com emoção’, concluiu Galípolo.