Deputados do Centrão expressaram insatisfação com a condução de Hugo Motta (Republicanos-PB) na tramitação da PEC da Blindagem. O grupo critica a falta de negociação prévia com Davi Alcolumbre (União-AP), presidente do Senado, antes da votação na Câmara.
Aliados de Motta afirmam que senadores apoiavam a proposta, mas recuaram após repercussão negativa. Parlamentares cobram explicações sobre possível quebra de acordo.
Reações e bastidores na Câmara
Nos bastidores, deputados do Centrão afirmam que a Câmara foi “jogada na fogueira sozinha e à toa” ao aprovar a PEC da Blindagem sem alinhamento prévio com o Senado. Segundo relatos, Hugo Motta teria sinalizado que “estava tudo combinado com Alcolumbre” para que a proposta fosse pautada também na outra Casa.
Um deputado questionou: “Você acha que iríamos nos expor sozinhos se não tivéssemos certeza que o Senado iria pautar?”. Outro parlamentar declarou que vão cobrar de Motta, nesta semana, se Alcolumbre quebrou o acordo ou se nunca houve combinação.
Disputa de versões
De acordo com interlocutores de Alcolumbre, Motta tomou sozinho a decisão de pautar a PEC, sem consultar os senadores. Eles relatam que Motta só procurou Alcolumbre para conversar sobre o tema mais de três horas após a aprovação do texto principal na Câmara, caracterizando a votação como um “movimento surpresa” dos deputados.
Aliados de Motta defendem estratégia
Interlocutores próximos a Hugo Motta argumentam que o presidente da Câmara conseguiu aprovar uma PEC em defesa dos parlamentares, feito que nem mesmo Arthur Lira (PP-AL), ex-presidente da Casa, teria alcançado. Para esses aliados, a aprovação fortalece Motta politicamente.
Ainda segundo esses interlocutores, os senadores eram simpáticos à proposta, já que ela também os beneficiaria, mas acabaram recuando diante da repercussão negativa que o texto gerou após a votação na Câmara.