Nicolas Maduro enviou uma carta ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, propondo diálogo direto após ataques americanos a embarcações venezuelanas. O gesto ocorre em meio ao aumento da presença militar dos EUA no Caribe e acusações de envolvimento da Venezuela no tráfico de drogas.
Maduro nega as alegações americanas e pede cooperação para superar desinformações. A carta foi enviada quatro dias após o ataque dos EUA que matou 11 pessoas, supostamente ligadas ao tráfico.
Detalhes da carta e resposta dos Estados Unidos
Na mensagem enviada a Trump, Maduro rejeita as acusações de que a Venezuela tem papel central no tráfico de drogas, alegando que apenas 5% das drogas da Colômbia passam por seu país e que 70% das drogas foram neutralizadas pelas autoridades venezuelanas. Ele afirma: “Presidente, espero que juntos possamos derrotar as falsidades que têm manchado nosso relacionamento, que deve ser histórico e pacífico”.
Maduro também destaca o canal de comunicação estabelecido com Richard Grenell, enviado especial dos EUA, que teria auxiliado na resolução de questões migratórias e na continuidade dos voos de deportação para a Venezuela, mesmo após os ataques. Segundo fontes, mais de 8.000 venezuelanos já foram removidos dos EUA por esses voos, embora os números não tenham sido verificados.
O governo venezuelano nega que os mortos no ataque dos EUA pertencessem à gangue Tren de Aragua e refuta qualquer ligação de autoridades de alto escalão com o narcotráfico. Maduro reafirma que os EUA buscam tirá-lo do poder e denuncia uma campanha de desinformação para justificar uma escalada militar.
Enquanto isso, a Casa Branca não comentou oficialmente a carta. Trump, por sua vez, intensificou a pressão, ameaçando a Venezuela com consequências caso não aceite o retorno de prisioneiros e anunciou novos ataques a supostas embarcações de drogas, além de reforçar a presença militar na região.
Rumores de ação militar e repercussão internacional
Reportagem do The New York Times aponta que os ataques dos EUA a barcos venezuelanos no Caribe sinalizam um aumento significativo da presença naval e aérea americana na região. A presença de caças F-35 em Porto Rico sugere que os planos dos EUA vão além de ações pontuais contra embarcações.
Segundo o jornal, cerca de 4.500 militares americanos estão em navios de guerra próximos, número considerado insuficiente para uma invasão, mas suficiente para operações especiais. Analistas e diplomatas consultados avaliam que o objetivo principal é pressionar Maduro, considerado ilegítimo por Washington e acusado de comandar cartéis de drogas.
Especialistas sugerem que os EUA podem planejar implantar forças de elite clandestinamente na Venezuela, indicando a possibilidade de ataques dentro do próprio território venezuelano. O governo Trump, entretanto, nega oficialmente interesse em mudança de regime, mas aumentou a recompensa por informações que levem à prisão de Maduro para US$ 50 milhões.
O cenário de tensão permanece, com a diplomacia e a pressão militar caminhando lado a lado, enquanto a comunidade internacional observa os desdobramentos e possíveis consequências para a estabilidade regional.