A Venezuela decretou estado de exceção, concedendo poderes especiais ao presidente Nicolás Maduro em caso de agressão dos Estados Unidos, segundo anunciou a vice-presidenta Delcy Rodríguez nesta segunda-feira (29). A decisão foi tomada após os EUA mobilizarem navios de guerra e tropas para o Caribe, elevando as tensões na região.
Maduro também se ofereceu para colaborar com o governo de Donald Trump na captura de líderes do cartel Tren da Aragua, buscando reabrir diálogo e reduzir atritos entre os países.
Proposta de cooperação e busca por diálogo
De acordo com a agência Bloomberg, o presidente Nicolás Maduro propôs ajudar o governo Trump a localizar e capturar chefes do cartel de drogas Tren da Aragua. A oferta, feita no início de setembro, ocorreu após a mobilização militar dos EUA para operações antinarcóticos no Caribe, e incluiu uma carta enviada diretamente a Trump.
No documento, visto pela agência Reuters, Maduro rejeitou as acusações americanas de que a Venezuela teria papel central no tráfico de drogas. Ele argumentou que apenas 5% das drogas produzidas na Colômbia transitam pelo território venezuelano. “Presidente, espero que juntos possamos derrotar as falsidades que têm manchado nosso relacionamento, que deve ser histórico e pacífico”, escreveu Maduro na carta, datada de 6 de setembro.
Operações militares e pressão dos EUA
As tensões aumentaram após um ataque dos EUA, em 2 de setembro, a um navio supostamente ligado ao tráfico, episódio que motivou a carta de Maduro. Em 16 de setembro, Donald Trump anunciou pelo menos o terceiro ataque a embarcações venezuelanas acusadas de transportar drogas, durante um reforço militar americano no sul do Caribe, que envolveu sete navios de guerra, um submarino nuclear e caças F-35. Segundo Trump, “três homens narcoterroristas a bordo da embarcação” foram mortos, mas não foram apresentadas provas.
Apesar das ações militares e do aumento da recompensa americana por informações que levem à prisão de Maduro para US$ 50 milhões, Trump negou recentemente interesse em promover uma mudança de regime na Venezuela. O governo dos EUA, no entanto, demonstra divisões internas: enquanto o secretário de Estado Marco Rubio e o secretário de Defesa Pete Hegseth lideram a campanha de pressão contra Maduro, outros membros, como Grenell, ex-diretor interino de inteligência nacional, defendem a diplomacia.
A Venezuela, ao decretar o estado de exceção, reforça sua postura defensiva diante do cenário de hostilidade e busca alternativas para retomar negociações diretas com Washington. O contexto sugere que a crise entre os dois países permanece aberta, com possibilidade de novos desdobramentos.