Seis pessoas morreram neste domingo (8) após um ataque americano a uma embarcação suspeita de tráfico de drogas no leste do Oceano Pacífico. O Exército dos EUA não revelou a localização exata nem a identidade dos tripulantes.
Com a ação deste domingo, o número de mortos nas operações militares do governo Trump contra supostos “narcoterroristas” chega a pelo menos 157 pessoas — acumuladas desde o início de setembro, quando a campanha foi lançada.
A série de ataques já soma mais de 40 intervenções no Pacífico Oriental e no Caribe, sempre sem que os EUA apresentem provas concretas de que os alvos eram traficantes.
Campanha sem provas e com mortes crescentes
O Comando Sul dos EUA afirmou que o alvo do ataque eram supostos traficantes operando em rotas conhecidas de contrabando — mas não apresentou evidências. A doutrina por trás das operações foi enunciada pelo assessor Stephen Miller, que afirmou a militares latino-americanos que “essas organizações só podem ser derrotadas com poder militar”.
Trump declarou que os EUA estão em “conflito armado” com cartéis na América Latina e defende os ataques como medida necessária para conter o fluxo de drogas ao país.
Coalizão anticartel reuniu aliados conservadores
O ataque de domingo ocorreu no mesmo fim de semana em que Trump formalizava o “Escudo das Américas”, coalizão militar anticartel com aliados da região. O encontro reuniu o presidente argentino Javier Milei, o presidente eleito do Chile José Antonio Kast e o presidente salvadorenho Nayib Bukele, cujo modelo de repressão às gangues tornou-se referência para parte da direita latino-americana.
O presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva não foi convidado para a reunião. Na última semana, Equador e EUA realizaram operações militares conjuntas contra grupos do crime organizado no país sul-americano.
Controvérsia legal e eficácia questionada
As operações geraram críticas severas após a revelação de que militares americanos mataram sobreviventes do primeiro ataque a uma embarcação com um segundo bombardeio. O governo Trump e parlamentares republicanos defenderam a ação como legal e necessária.
Legisladores democratas e grupos de direitos humanos afirmam que as mortes podem configurar assassinato ou crime de guerra — acusação que o governo rejeita.
Críticos questionam também a eficácia da campanha: o fentanil responsável por grande parte das overdoses nos EUA chega ao país pelo México, onde é produzido com substâncias químicas importadas da China e da Índia. Os ataques a embarcações no Pacífico não afetariam diretamente essa rota de tráfico.
Com a reunião de sábado, Trump buscou ainda demonstrar compromisso com a política externa no Hemisfério Ocidental mesmo enquanto enfrenta tensões com o Irã e seus desdobramentos no Oriente Médio.