O presidente venezuelano Nicolás Maduro anunciou nesta quinta-feira (18) que militares irão às comunidades para treinar civis no uso de armas.
A decisão ocorre em meio à crescente tensão com os Estados Unidos, que enviaram navios de guerra ao sul do Caribe, aumentando o clima de alerta na região.
Maduro acusa Washington de planejar uma invasão e já havia convocado voluntários da milícia civil para treinamentos em quartéis semanas antes.
Exercícios militares e mobilização civil
Na quarta-feira (17), a Força Armada Nacional da Venezuela iniciou três dias de exercícios militares na ilha caribenha de La Orchila, localizada a 65 km do continente. A iniciativa faz parte de uma estratégia de preparação diante das ameaças percebidas pelo governo venezuelano.
O envio de militares para treinar civis no uso de armas representa um novo passo na mobilização da população. O corpo de milícia, formado por civis, já havia sido chamado para treinamentos anteriores nos quartéis, reforçando o discurso de defesa nacional do governo Maduro.
Reação internacional e análise de especialistas
Especialistas consultados pelo g1 avaliam que o aparato militar dos EUA na região é incompatível com operações de combate ao tráfico de drogas. “Se você olhar o tipo de equipamento que foi enviado para a Venezuela, não é um equipamento de prevenção ou de ação contra o tráfico, ou contra cartéis”, afirmou o cientista Carlos Gustavo Poggio, professor do Berea College, nos EUA.
Maurício Santoro, doutor em Ciência Política pelo IUPERJ e colaborador do Centro de Estudos Político-Estratégicos da Marinha do Brasil, comparou a situação com a do Irã meses atrás, destacando o volume de recursos militares transferidos pelos EUA para o Caribe como sinal de seriedade na ameaça.
A intensificação dos exercícios militares e o treinamento de civis refletem a preocupação do governo venezuelano diante do aumento da presença militar dos Estados Unidos no Caribe. A ilha de La Orchila, escolhida para as manobras, é estratégica por sua proximidade com o continente e já foi palco de operações militares anteriores.
O discurso de Nicolás Maduro reforça a narrativa de ameaça externa, buscando mobilizar a sociedade venezuelana em torno da defesa nacional. O envio de navios de guerra americanos é visto como um fator de instabilidade na região, elevando o risco de confrontos e agravando a crise diplomática.
Enquanto isso, a comunidade internacional acompanha com atenção os desdobramentos, temendo uma escalada que possa impactar a segurança e a estabilidade do Caribe e da América do Sul.