Política

Gilmar Mendes afirma que processos em andamento no STF não serão afetados pela PEC da Blindagem

Ministro do STF diz que aprovação da PEC não impactará ações já em curso contra parlamentares na Corte

Gilmar Mendes, ministro do STF, declarou que processos já em andamento contra parlamentares não serão impactados se a PEC da Blindagem for aprovada pelo Congresso.

A proposta, que amplia a proteção de deputados e senadores, ainda precisa passar pelo Senado, onde enfrenta resistência.

O texto prevê que parlamentares só poderão ser processados criminalmente com autorização prévia das Casas legislativas.

Entenda a PEC da Blindagem

A PEC da Blindagem, aprovada na Câmara dos Deputados nesta quarta-feira, propõe que deputados e senadores só possam ser processados criminalmente mediante autorização prévia das Casas a que pertencem. A medida é vista como uma resposta ao avanço do STF em ações contra congressistas.

Atualmente, tramitam no STF processos como o que envolve deputados do PL suspeitos de desvios de verbas públicas em emendas parlamentares. Segundo Gilmar Mendes, “os processos que já estão em curso seguirão o seu rumo, [os casos] de denúncia já recebida”. Ele lembrou que, entre 1988 e 2001, o Congresso raramente concedia licença para processar parlamentares, mas que isso foi corrigido posteriormente.

O ministro afirmou ainda que não é possível fazer uma análise definitiva sobre a constitucionalidade da PEC neste momento, ressaltando que o tema provavelmente será discutido no Judiciário: “Vamos aguardar”.

Discussão sobre o PL da Anistia e ameaças externas

Após a aprovação do regime de urgência para o projeto que anistia condenados pelo STF por participação nos atos de 8 de janeiro, Gilmar Mendes evitou comentários, dizendo que não tem posição formada: “Não tem juízo sobre isso. Vamos aguardar a proposta, a formulação”.

O texto da anistia é prioridade para aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado a 27 anos e 3 meses de prisão por liderar uma trama golpista. Gilmar Mendes destacou que há muitos projetos em tramitação e muita especulação sobre o tema, tornando arriscado emitir juízo neste momento.

Questionado sobre ameaças feitas por integrantes do governo Donald Trump contra autoridades brasileiras, o ministro classificou como “interferência indevida” de agentes externos em processos internos do Judiciário nacional. “Já se falou que isso é uma interferência indevida em assuntos internos brasileiros, relativos à soberania brasileira, e isso não afeta a independência do Judiciário”, afirmou o decano do STF.

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