Aliados do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, afirmaram que Hugo Motta pautou a PEC da Blindagem “sozinho” e sem consulta prévia aos senadores.
A votação, considerada um “movimento surpresa”, ocorreu na terça-feira (16), e Motta só procurou Alcolumbre após a aprovação do texto principal.
A proposta, que exige autorização do Congresso para ação penal contra parlamentares e voto secreto para prisões, foi encaminhada à CCJ do Senado para tramitação regular.
Tramitação e reação no Senado
Assim que o texto da PEC da Blindagem chegou ao Senado nesta quarta-feira (17), Davi Alcolumbre encaminhou a proposta à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Ele afirmou que a tramitação seguirá “normal” e “dentro do regimento”, em contraste com a aceleração vista na Câmara.
Senadores que antes apoiavam a proposta, incluindo integrantes do PL, passaram a rejeitá-la após a inclusão do voto secreto para prisões. O senador Sérgio Moro (União-PR) declarou: “O remédio acabou sendo excessivo, porque, da forma como está posta, também poderá ali acabar inviabilizando investigação e processo em relação a crimes comuns”. Até Chico Rodrigues (PSB-RR), que já foi alvo de operação da Polícia Federal, se manifestou contrário à matéria.
Repercussão entre oposição e base
Senadores da oposição, como Jorge Seif (PL-SC) e Eduardo Girão (Novo-CE), também reconheceram “exageros” no texto aprovado pela Câmara. A proposta enfrenta resistência por dificultar a defesa diante do eleitorado.
Tensões políticas e bastidores
A relação entre Alcolumbre e a oposição influencia a tramitação da PEC. Em agosto, parlamentares ocuparam os plenários do Congresso em protesto, levando o presidente do Senado a classificar o ato como “alheio aos princípios democráticos”.
Durante a sessão do Senado nesta quarta, Alcolumbre criticou publicamente Eduardo Bolsonaro (PL-SP), ausente do país desde fevereiro, e afirmou que oposicionistas “não querem votar [projetos] porque ficam se atendo aos debates do Judiciário, seja do impeachment de ministro do Supremo, seja de anistia”.
Após irritação com declarações de Valdemar da Costa Neto, presidente do PL, Alcolumbre reuniu senadores da oposição e líderes da base do governo para enviar recados ao dirigente partidário. Valdemar havia sugerido que uma nova paralisação seria “um prejuízo muito grande para o governo” e alegou apoio de partidos como PSD, PP, Republicanos e União para aprovar a anistia ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
Na terça-feira (16), Alcolumbre não compareceu ao Senado por indisposição, sendo alvo de críticas de colegas como Eduardo Girão. No dia seguinte, líderes do governo saíram em sua defesa.