A Venezuela iniciou nesta quarta-feira (17) exercícios militares na ilha La Orchila, no Caribe, em meio ao aumento das tensões com os Estados Unidos. O governo venezuelano afirma que as manobras são uma resposta à postura “ameaçadora” de Washington, que mantém navios de guerra próximos ao país.
O ministro da Defesa, Vladimir Padrino López, detalhou que as ações envolvem defesa aérea, drones armados e guerra eletrônica, com duração prevista de três dias.
Detalhes das operações militares
Os exercícios, batizados de “Caribe Soberano 200”, contam com a participação de 12 navios militares, 22 aeronaves e 20 embarcações da chamada “Milícia especial naval”. Segundo o vice-almirante Irwin Raúl Pucci, o objetivo é elevar o preparo operacional das Forças Armadas para proteger o território nacional diante do aumento da presença militar dos EUA na região.
O presidente Nicolás Maduro afirmou que o país está sofrendo uma “agressão” em várias frentes, incluindo ameaças judiciais, políticas, diplomáticas e militares por parte dos Estados Unidos. Maduro declarou: “A Venezuela está, protegida pelas leis internacionais, para responder a essa agressão. Eles usam uma mentira como desculpa para justificar uma escalada militar e um ataque criminoso contra a Venezuela”.
O governo norte-americano, por sua vez, anunciou recentemente o uso de “toda a força” contra Maduro, justificando a operação como parte do combate ao narcoterrorismo. Atualmente, oito navios da Marinha dos EUA patrulham áreas próximas à Venezuela, e o secretário de Guerra, Pete Hegseth, realizou uma visita surpresa a uma dessas embarcações.
Convocação e mobilização nacional
Em resposta à escalada, Maduro ordenou o envio de pelo menos 25 mil efetivos das Forças Armadas para regiões fronteiriças com a Colômbia e o Caribe, além de convocar civis para integrarem a Milícia Bolivariana. Segundo o Instituto Internacional de Estudos Estratégicos (IISS), a Milícia conta com cerca de 212 mil integrantes, somando-se aos 123 mil soldados dos outros ramos militares. No entanto, generais reformados estimam que apenas 30 mil milicianos estão realmente bem treinados e armados.
O presidente venezuelano também mobilizou “fuzis, tanques e mísseis” para garantir a defesa do país. “Quem quer paz, prepare-se para defendê-la”, afirmou em discurso recente. Organizações internacionais acompanham o caso e pedem diálogo para evitar um conflito maior, enquanto países do Caribe temem impactos na estabilidade regional.
Repercussão e acusações mútuas
Maduro acusa os EUA de tentarem interferir em governos latino-americanos sob o pretexto de combate ao narcotráfico. Questionado sobre ataques americanos a embarcações, Maduro sugeriu manipulação de imagens, mas não acusou diretamente Donald Trump. Ele também negou qualquer tipo de negociação entre os dois governos, alegando que as comunicações foram rompidas devido a ameaças vindas de Washington.