Política

Congresso barrou quase todos os processos criminais contra parlamentares entre 1988 e 2001

Apenas um deputado teve processo autorizado em mais de 250 pedidos do STF durante vigência da chamada blindagem parlamentar

Entre 1988 e 2001, o Congresso Nacional autorizou apenas um processo criminal contra parlamentar, mesmo após mais de 250 pedidos do Supremo Tribunal Federal. A regra, prevista na Constituição, exigia aval prévio da Câmara ou do Senado para processar deputados e senadores. O dispositivo foi removido no início dos anos 2000, mas líderes articulam sua retomada por meio de uma nova PEC.

Blindagem parlamentar e histórico de proteção

Durante o período em que vigorou a regra de autorização prévia, o Congresso Nacional rejeitou, arquivou ou ignorou 253 pedidos de abertura de processo criminal enviados pelo Supremo Tribunal Federal contra deputados e senadores. Apenas uma pequena parcela, cerca de 17%, foi rejeitada em plenário, enquanto o restante sequer chegou a ser analisado. A proteção beneficiou parlamentares acusados de crimes graves, como tentativa de assassinato e homicídio.

O único caso em que a Câmara autorizou o processo foi o do deputado Jabes Rabelo (PTB-RO), acusado de receptação de veículo roubado. O plenário aprovou o pedido do STF por 366 votos a 35. Posteriormente, Rabelo foi cassado por outro motivo, envolvendo tráfico de drogas e uso indevido de carteira funcional da Casa.

No Senado, houve um caso em que a licença foi concedida a pedido do próprio parlamentar, Bernardo Cabral (AM), para responder a um processo de calúnia.

Casos emblemáticos e consequências

Parlamentares como Nobel Moura (PSD-RO), acusado de tentativa de homicídio, e Hildebrando Pascoal (AC), envolvido em organização criminosa, tiveram processos travados até a cassação de seus mandatos. Valdemar Costa Neto (PL) também se beneficiou da regra, escapando de três ações enquanto era deputado.

O Senado barrou investigações de delitos eleitorais e pedidos como o do senador Luiz Estevão, acusado de desvio de verba pública, que só foi cassado meses depois. O então senador Ronaldo Cunha Lima (PB), autor da PEC que eliminou a autorização prévia, também foi protegido pela regra e só virou réu após a mudança constitucional.

Discussão sobre retorno da blindagem

Mais de duas décadas após a retirada da exigência de autorização prévia, lideranças da Câmara articulam a volta da regra por meio de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC). Segundo informações do blog da Andréia Sadi, há acordo entre bolsonaristas e o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), para votar a proposta antes da anistia.

O histórico mostra que, durante a vigência da blindagem, o Congresso travou processos até a morte, cassação ou fim do mandato dos investigados, inclusive em casos de crimes graves. O modelo favoreceu a impunidade e beneficiou figuras de destaque da política nacional.

O tema volta ao debate em meio à discussão sobre limites das imunidades parlamentares e mecanismos de responsabilização de deputados e senadores por eventuais crimes cometidos durante o mandato.

A Redação Tropiquim é responsável pela curadoria e edição do conteúdo do portal, sob direção editorial de Giulia Gigli. Reunimos o que importa no noticiário brasileiro e entregamos com clareza, contexto e um olhar que acredita no Brasil — sempre com curadoria e supervisão editorial humana. Cada publicação passa por critérios de relevância, precisão e atribuição de fontes.
Escrito com o apoio da inteligência artificial
Este texto foi gerado por IA sob curadoria da equipe do Tropiquim.
todos os fatos foram verificados com rigor.
Leia mais

Bolsonaristas afirmam ter acordo com Motta para votar PEC que protege parlamentares

Congresso terá 90 dias para decidir sobre processo contra parlamentar

Motta troca relator e busca acordo para votar PEC da Blindagem na Câmara

Nova versão da PEC da Blindagem exige aval do Congresso para ações penais no STF

Câmara dos Deputados pode votar PEC da Blindagem nesta terça-feira

Câmara inicia debate e votação da PEC da Blindagem nesta terça