Política

Fux afirma que réus não podem ser condenados por dano causado por terceiros

Ministro do STF destaca ausência de provas de omissão dolosa em julgamento da trama golpista envolvendo Bolsonaro e ex-auxiliares

O ministro Luiz Fux declarou nesta quarta-feira (10) que não é possível condenar réus por crimes de dano ao patrimônio em razão de ações praticadas por terceiros.

Durante o julgamento da trama golpista na Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal, Fux ressaltou que não há indícios de ordem ou omissão dolosa dos acusados diante das invasões de 8 de janeiro de 2023.

Entre os réus estão o ex-presidente Jair Bolsonaro e sete ex-auxiliares e militares, acusados de diversos crimes, incluindo golpe de Estado e dano ao patrimônio.

Acusações e análise das provas

A Procuradoria-Geral da República denunciou Bolsonaro e outros sete réus por crimes como golpe de Estado, abolição violenta do Estado Democrático de Direito, organização criminosa, dano ao patrimônio e deterioração do patrimônio tombado.

Segundo Fux, não há elementos no processo que comprovem que os réus tenham ordenado a destruição ou se omitido de forma dolosa durante as invasões ocorridas em 8 de janeiro de 2023. Ele enfatizou: “No caso em questão, não há prova de que alguns dos réus tinham dever de agir para impedir os danos causados em 8 de janeiro de 2023. A omissão não se configura pela ausência de ação, mas pela ausência de ação capaz de impedir o crime. Não há prova nos autos de que os réus tenham ordenado a destruição e depois se omitido”.

Menção a Anderson Torres

O ministro citou o ex-ministro da Justiça Anderson Torres, também réu no processo, afirmando que há evidências de que Torres tomou providências para evitar a invasão do edifício do Supremo pelos vândalos. “Há evidências de que, assim que a destruição começou, um dos réus tomou medidas para evitar que o edifício do Supremo fosse invadido. Anderson Torres assim agiu”, disse Fux.

Responsabilização criminal e provas individuais

Fux destacou ainda que a responsabilização criminal deve ser fundamentada em provas específicas e não em presunções baseadas em papéis de liderança. “É imperativo que o Estado acusador demonstre, no caso concreto, a materialidade do dano e a conduta específica de cada indivíduo”, afirmou. “Um acusado não pode ser responsabilizado por um dano provocado por terceiro.” Ele completou: “A simples liderança intelectual, desacompanhada de evidências concretas, não é suficiente para condenação. Mesmo havendo provas de liderança, não se presume responsabilidade automática do líder.”

Contexto do julgamento e divergências

O julgamento da trama golpista está sendo realizado na Primeira Turma do STF. Até o momento, o relator Alexandre de Moraes e o ministro Flávio Dino votaram pela condenação dos oito réus, incluindo Bolsonaro, por tentativa de golpe de Estado e outros crimes.

Luiz Fux divergiu em pontos centrais, como a competência do Supremo para julgar o caso e a responsabilização pelos danos ao patrimônio. Sua posição ressalta a importância de provas individualizadas para condenação, especialmente em relação aos crimes de dano ao patrimônio e deterioração do patrimônio tombado.

O debate sobre a necessidade de provas específicas para responsabilização criminal pode influenciar os desdobramentos do julgamento e a definição das penas dos acusados.

A Redação Tropiquim é responsável pela curadoria e edição do conteúdo do portal, sob direção editorial de Giulia Gigli. Reunimos o que importa no noticiário brasileiro e entregamos com clareza, contexto e um olhar que acredita no Brasil — sempre com curadoria e supervisão editorial humana. Cada publicação passa por critérios de relevância, precisão e atribuição de fontes.
Escrito com o apoio da inteligência artificial
Este texto foi gerado por IA sob curadoria da equipe do Tropiquim.
todos os fatos foram verificados com rigor.
Leia mais

Fux afirma que golpe de Estado exige deposição de governo eleito

Fux vota por absolvição de Bolsonaro e questiona processo no STF

Fux absolve Ramagem de dois crimes em julgamento sobre trama golpista

Oposição busca fortalecer anistia com voto de Fux enquanto governistas celebram posição de Dino

Fux diverge de Moraes e Dino em pontos-chave do julgamento de Bolsonaro e aliados no STF

Fux vota pela absolvição de Paulo Sérgio Nogueira dos cinco crimes denunciados pela PGR