Política

Oposição busca fortalecer anistia com voto de Fux enquanto governistas celebram posição de Dino

Disputa no Congresso se intensifica após votos divergentes de ministros do STF sobre crimes antidemocráticos

Parlamentares da oposição pretendem usar o voto do ministro Luiz Fux, do STF, para impulsionar o projeto de anistia no Congresso Nacional. Governistas, por sua vez, comemoram o voto do ministro Flávio Dino, contrário ao perdão por crimes antidemocráticos. O debate ganhou força após sessão do Supremo na terça-feira (10).

O voto de Fux, que absolveu o ex-presidente Jair Bolsonaro e apontou “incompetência absoluta” do STF, é visto como argumento jurídico pela oposição. Dino, por outro lado, reiterou a inconstitucionalidade da anistia para crimes contra o Estado Democrático de Direito.

Votos no STF e repercussão política

O ministro Luiz Fux votou pela absolvição do ex-presidente Jair Bolsonaro e declarou a “incompetência absoluta” do STF na ação penal. Esse posicionamento foi rapidamente abraçado por líderes da oposição, como Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), que classificou o voto como “técnico e jurídico” e acredita que os argumentos apresentados podem fortalecer a tramitação do projeto de anistia no Congresso.

Durante a sessão do dia 10, o ministro Flávio Dino destacou que o plenário do STF já considerou inconstitucional qualquer indulto ou anistia para crimes contra o Estado Democrático de Direito, citando o precedente do caso Daniel Silveira. Dino afirmou que não cabe anistia nos crimes em análise, reforçando a posição do Supremo sobre o tema.

Parlamentares da oposição, como o deputado Zucco (PL-RS), interpretam o voto de Fux como abertura para questionamentos jurídicos futuros, inclusive para uma eventual anulação do julgamento. Nas redes sociais, figuras como Flávio Bolsonaro (PL-RJ), Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e Bia Kicis (PL-DF) divulgaram vídeos com trechos do voto de Fux, alegando “imparcialidade e injustiça” no julgamento.

Reações e perspectivas no Congresso

O líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias (RJ), avaliou que o voto de Flávio Dino representa um recado claro contra a tese da anistia, reforçando sua inconstitucionalidade com base em votos de outros ministros do Supremo. Lindbergh também lembrou uma publicação do decano Gilmar Mendes, que afirmou: “crimes contra o Estado Democrático de Direito são insuscetíveis de perdão”.

Nos bastidores, parlamentares do Centrão têm ajustado o discurso e reconhecem que, mesmo que um perdão amplo fosse aprovado, o STF poderia considerar a medida inconstitucional, especialmente em benefício do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Deputados da base do governo minimizam os efeitos do voto de Fux, embora admitam que a oposição está satisfeita. Jandira Feghali (PCdoB-RJ) afirmou que o voto de Fux se baseia em “premissas já vencidas e é contraditório com votos anteriores”. Ela lembrou que o próprio Fux já considerou o STF competente para julgar envolvidos nos ataques de 8 de janeiro.

Outros deputados destacam que a divergência de Fux demonstra a natureza democrática do julgamento, diferente do que ocorria durante a ditadura militar, segundo Rubens Pereira Jr (PT-MA), quando não havia espaço para debate.

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