Os advogados de Jair Bolsonaro e de outros sete réus por tentativa de golpe de Estado em 2022 começaram a apresentar suas defesas nesta terça-feira (2), durante o julgamento iniciado pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF).
Entre os defensores estão nomes de peso do direito penal, eleitoral e militar, muitos com histórico em casos de grande repercussão e atuação em processos ligados à Lava Jato, mensalão e outros episódios marcantes da política nacional.
Principais nomes da defesa de Bolsonaro e aliados
Celso Vilardi foi contratado em janeiro de 2025 para liderar a estratégia jurídica de Jair Bolsonaro, ao lado de Paulo Bueno. Vilardi é professor de Direito Penal Econômico da FGV-SP e já atuou em processos como o mensalão, Operação Castelo de Areia, Lava Jato e a fraude das Lojas Americanas. Em 2022, assinou manifesto em defesa da democracia e, em 2023, criticou os ataques de 8 de janeiro, elogiando as investigações da Polícia Federal.
Paulo Bueno, também na defesa de Bolsonaro, é criminalista, professor da PUC-SP, e esteve envolvido no inquérito das joias sauditas. Com passagem pelo CPOR-SP e experiência no setor de armas, Bueno mantém perfil discreto e exibe a bandeira do Brasil Império em suas redes.
Paulo Cintra defende Alexandre Ramagem (PL-RJ), ex-diretor da Abin. Especialista em direito eleitoral, Cintra trabalhou como assessor-chefe da Procuradoria-Geral da República até abril de 2023, pouco antes de Paulo Gonet apresentar denúncia contra Bolsonaro e aliados.
Demóstenes Torres, ex-senador cassado, representa o ex-comandante da Marinha, Almir Garnier Santos. Torres, promotor aposentado, ganhou notoriedade nacional por sua trajetória política e por ter sido cassado por envolvimento com Carlinhos Cachoeira.
Eumar Roberto Novacki, ex-coronel da PM de Mato Grosso e aliado de Blairo Maggi, defende Anderson Torres, ex-ministro da Justiça. Novacki já ocupou cargos de confiança no governo federal e do DF, e sua atuação no STF foi marcada por episódios de tensão e descontração com o ministro Alexandre de Moraes.
Matheus Mayer Milanez, advogado do general Augusto Heleno, também representou o ex-ministro na CPMI do Congresso. Professor e mestrando pela UnB, Milanez ganhou notoriedade por episódios durante interrogatórios no STF, incluindo pedidos inusitados e críticas públicas a decisões judiciais.
Defesas de militares e figuras-chave
Cezar Roberto Bitencourt é responsável pela defesa do tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro e peça central nas investigações. Bitencourt, doutor pela Universidade de Sevilha e autor de mais de 30 livros, sempre criticou a delação premiada, mas negociou o acordo de colaboração de Cid, a primeira delação de sua carreira. Ele classificou os atos de 8 de janeiro como “violência generalizada e antidemocrática protagonizada por vândalos e asseclas irracionais de Jair Bolsonaro”. Jair Alves Pereira também integra a defesa de Cid.
Andrew Fernandes Farias, advogado criminalista e especialista em Justiça Militar, defende o general Paulo Sérgio Nogueira. Farias já absolveu militares no Massacre da Estrutural e recebeu a Ordem do Mérito Judiciário Militar. Durante interrogatórios no STF, protagonizou um episódio de tensão com Nogueira, que depois pediu desculpas publicamente.
José Luis Oliveira Lima, conhecido como Juca, representa o general Braga Netto, ex-ministro da Defesa, preso desde dezembro de 2024 por suspeita de obstrução das investigações. Juca já defendeu figuras como José Dirceu, Léo Pinheiro, Alberto Youssef, Roger Abdelmassih e Pedro Guimarães. Apesar de hoje atuar na defesa de um aliado de Bolsonaro, tem histórico de críticas públicas ao ex-presidente e foi signatário de carta em defesa da democracia.
O julgamento no STF reúne advogados com trajetórias marcantes e atuações em casos emblemáticos, refletindo a complexidade e a relevância política do processo.