As defesas de quatro réus que já se manifestaram no julgamento não negaram a existência dos atos golpistas, mas buscaram afastar a participação direta de seus clientes.
Os advogados concentraram esforços em questionar a validade da delação premiada de Mauro Cid e em destacar que o acesso ao material da investigação foi tardio.
No mérito, a estratégia foi não contestar os fatos já reconhecidos pelo STF, mas diferenciar a conduta individual de cada réu.
Estratégias processuais adotadas
As defesas dos quatro réus optaram por não negar os atos golpistas, focando em afastar a ligação direta de seus clientes. Um dos principais pontos foi a contestação da validade da delação premiada de Mauro Cid. Os advogados alegaram problemas na voluntariedade do acordo, afirmando que “essa delação deu problema e não pode ser usada”. Apenas a defesa de Cid defendeu a regularidade do acordo.
Outro aspecto levantado foi a crítica ao acesso tardio ao material produzido pela investigação. Segundo os advogados, a demora prejudicou o direito de defesa e impediria a formação plena da convicção dos ministros do STF.
Argumentação no mérito
No mérito, os defensores adotaram postura pragmática. Destacaram que não faria sentido negar a tentativa de golpe de Estado, já que a Primeira Turma do STF já condenou outros por crimes como abolição violenta do Estado Democrático de Direito e dano qualificado nos mesmos eventos. Assim, evitaram contestar fatos reconhecidos previamente pelo tribunal.
Foco na conduta individual
A principal tática das defesas foi diferenciar a conduta de cada cliente em relação ao plano golpista. Os advogados argumentaram que, embora o contexto geral seja o mesmo, não há comprovação de que seus clientes aderiram às tratativas do golpe. “Esse é o papel da defesa: reforçar o comportamento individual e afastar a vinculação ao golpe”, afirmou um dos advogados.
Com isso, as defesas buscaram afastar a responsabilização direta de seus clientes, apostando na análise individualizada das condutas para influenciar o julgamento do STF.