Política

Defesas admitem reuniões e buscam minimizar envolvimento em julgamento de trama golpista

Advogados reconhecem encontros sobre reversão eleitoral e focam em individualizar condutas dos réus no STF

No primeiro dia de sustentações orais do julgamento da trama golpista, as defesas não negaram a realização das reuniões relatadas pela Procuradoria-Geral da República (PGR). O foco dos advogados foi limitar a participação de seus clientes e questionar a suficiência das provas apresentadas.

Algumas defesas também pediram a absorção de crimes, buscando reduzir eventuais penas. O julgamento ocorre no Supremo Tribunal Federal.

Admissão e estratégias das defesas

Durante o julgamento, as defesas admitiram a existência de reuniões em que se discutiu a reversão do resultado eleitoral. O principal argumento foi a tentativa de individualizar as condutas dos réus, alegando que alguns apenas estiveram presentes sem participação ativa ou sem colocar tropas à disposição.

O advogado Demóstenes Torres, representante do almirante Almir Garnier, reconheceu explicitamente a reunião entre Bolsonaro e ministros militares, mas afirmou que seu cliente não manifestou apoio ao golpe. Demóstenes argumentou ainda que houve uma “desistência voluntária” dos comandantes, sugerindo que, sem o apoio do Exército, não haveria condições para o golpe, e que a retirada configuraria desistência legítima.

Confronto entre abordagens

A acusação, por sua vez, insiste em analisar o conjunto das ações, enquanto as defesas buscam fragmentar os episódios para reduzir sua gravidade. O procurador-geral Paulo Gonet destacou: “se você analisar cada ato separado, pode ser que não dê importância; mas é preciso observar os elementos de maneira globalizada”.

Execução versus preparação

A acusação ressaltou a transição do plano abstrato para a execução dos atos. A denúncia menciona o chamado “Copa 22”, um conjunto de ações concretas como monitoramento de autoridades, compra de celulares e discussões de financiamento, como evidências de que a tentativa de golpe já estava em andamento.

Para a PGR, não se tratam de meros atos preparatórios, mas de uma execução em curso. A diferença entre considerar os fatos como preparação ou execução será central para a decisão dos ministros do Supremo Tribunal Federal.

O julgamento segue com expectativa de novas manifestações das partes e pode definir parâmetros importantes para casos semelhantes no futuro.

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