No primeiro dia de julgamento do núcleo central da trama golpista, o advogado Eumar Novacki defendeu Anderson Torres, ex-ministro da Justiça, afirmando que a PGR não apresentou provas de seu envolvimento nos ataques de 8 de janeiro de 2023.
Novacki destacou que a acusação é baseada em ilações e que a viagem de Torres aos EUA foi programada com antecedência, afastando suspeitas de participação na conspiração.
Acusações e defesa de Anderson Torres
A Procuradoria-Geral da República sustenta que Anderson Torres colaborou com articulações golpistas e integrou organização criminosa. Um dos principais elementos apontados pela PGR foi a apreensão, pela Polícia Federal, de uma minuta de decreto de estado de defesa na casa de Torres. Segundo a acusação, o documento serviria de base para pressionar militares a aderirem ao golpe, sendo considerado prova da conspiração.
O advogado Eumar Novacki, no entanto, contestou a robustez das provas, afirmando: “A peça acusatória vem recheada de afirmações e ilações sem provas”. Torres responde por crimes como organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, tentativa de golpe de Estado, dano qualificado contra o patrimônio da União e deterioração de patrimônio tombado.
Durante sua sustentação, Novacki enfatizou que toda a tese acusatória é um ponto fora da curva no caso de Anderson Torres. Ele afirmou que nem a Polícia Federal nem o Ministério Público buscavam a verdade naquele momento, e que a narrativa do MP pressupõe, sem fundamento, que Torres teria conspirado e participado de uma “macabra trama golpista” ao se ausentar deliberadamente do Distrito Federal.
O advogado reforçou que a viagem de férias de Torres aos Estados Unidos ocorreu dias antes dos atos de 8 de janeiro e foi planejada com muita antecedência, afastando a hipótese de participação deliberada nos acontecimentos.