A oposição aposta em Tarcísio de Freitas para aprovar o projeto de anistia a acusados de tentativa de golpe de Estado no Congresso. O governador de São Paulo tenta convencer o presidente da Câmara, Arthur Lira, e o relator Marcos Pereira a pautarem a proposta. O governo suspeita de um acordo entre Tarcísio e Jair Bolsonaro para viabilizar a candidatura presidencial do governador em troca de indulto.
Movimentações políticas e articulações
O líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), afirmou que a proposta de anistia voltará a ser prioridade do partido. O tema deve ser levado à reunião de líderes na próxima terça-feira (2). A oposição vê em Tarcísio de Freitas a principal figura para articular a aprovação do projeto, especialmente junto ao presidente da Câmara, Arthur Lira, e ao relator Marcos Pereira.
Do lado do governo, ministros palacianos acreditam que há um “acordo secreto” entre Bolsonaro e Tarcísio. Segundo eles, o ex-presidente condicionaria o apoio à candidatura presidencial do governador em troca de um possível indulto. Entre os indícios apontados estão encontros recentes entre Tarcísio e Bolsonaro, que atualmente cumpre prisão domiciliar.
Esses interlocutores do presidente Lula avaliam que o suposto acordo não foi divulgado para não causar atritos com os filhos de Bolsonaro e para não expor antecipadamente a intenção de Tarcísio de disputar a presidência.
Repercussão e expectativas
Na visão de aliados de Lula, Tarcísio deseja ser candidato à Presidência da República e outros nomes da direita não teriam força para viabilizar uma candidatura competitiva. O próprio presidente Lula tem afirmado que Tarcísio será candidato.
Na semana passada, em entrevista ao Diário do Grande ABC, Tarcísio declarou que seu primeiro ato como presidente seria conceder indulto a Bolsonaro. A declaração gerou reação da ministra de Relações Institucionais, Gleisi Hoffman (PT), que classificou o governador como “candidato fantoche que só pensa em servir aos interesses do seu chefe” e afirmou que ele não respeita a Justiça nem o Estado de direito.
Lideranças da oposição sustentam que “qualquer candidato da direita dará indulto ao Bolsonaro”. Já aliados de Bolsonaro avaliam que Tarcísio só lançará candidatura presidencial se houver um pedido explícito do ex-presidente, o que ainda não ocorreu.