Ministros do Supremo Tribunal Federal manifestaram incômodo diante das articulações do governador de São Paulo, Tarcísio Gomes de Freitas, em favor de uma anistia ao ex-presidente Jair Bolsonaro durante o julgamento da ação penal do golpe.
O desconforto se intensificou após declarações de Tarcísio sobre falta de confiança na Justiça, e a iniciativa de negociar anistia antes do fim do julgamento gerou críticas entre os ministros do STF.
Enquanto isso, o movimento político por uma anistia aos envolvidos em 8 de janeiro de 2023, incluindo Bolsonaro, ganha força no Congresso Nacional.
O Supremo Tribunal Federal já havia recebido de forma negativa a declaração de Tarcísio Gomes de Freitas, governador de São Paulo, afirmando que “não confia” na Justiça responsável pelo julgamento de Jair Bolsonaro. Um dos ministros chegou a classificar o comentário como “absurdo”, especialmente por partir de um político que costuma ressaltar sua interlocução com o STF.
O incômodo aumentou quando Tarcísio decidiu liderar negociações para uma possível anistia ao ex-presidente antes mesmo do término do julgamento. Para integrantes do Supremo, o governador deveria ao menos aguardar a conclusão do processo. A avaliação é de que Tarcísio busca consolidar apoio de Bolsonaro e seus aliados com vistas a uma candidatura presidencial, mas estaria, ao mesmo tempo, fechando portas no STF.
Paralelamente ao julgamento, cresce em Brasília o movimento para votar um projeto de anistia aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro de 2023, que também poderia beneficiar Bolsonaro. O tema ganhou força com a adesão de líderes do Centrão e do próprio governador paulista.
Avanço das articulações no Congresso
O apoio à votação da proposta de anistia foi formalizado por partidos como PP e União Brasil. O PSD, liderado por Gilberto Kassab, passou a defender a discussão do projeto, embora ainda aguarde um texto concreto para se posicionar de forma definitiva.
O MDB ainda não aderiu oficialmente, mas há deputados dentro da legenda que defendem a ideia. No Palácio do Planalto e entre lideranças do governo na Câmara, a percepção é de que o movimento pró-anistia cresceu significativamente, tornando incerta a possibilidade de impedir a votação de um projeto que inclua o ex-presidente Jair Bolsonaro.
O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), reconheceu nesta terça-feira (2) que o movimento ganhou força e que o tema pode ser colocado em pauta nos próximos dias.