O presidente Lula declarou que o governo trabalhará para impedir a anistia a condenados por atos golpistas. A afirmação foi feita em entrevista ao Jornal da Band, pouco antes da condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 27 anos e 3 meses de prisão.
Lula também comentou o voto do ministro Luiz Fux e abordou possíveis sanções dos EUA após o julgamento.
Condenação de Bolsonaro e penas para envolvidos
A Primeira Turma do STF condenou Jair Bolsonaro por cinco crimes relacionados à trama golpista, fixando uma pena total de 27 anos e três meses de prisão. Apesar da decisão, a prisão não será imediata, pois ainda cabem recursos por parte da defesa do ex-presidente. Além de Bolsonaro, outros condenados também receberam penas de prisão e multas, incluindo a determinação de perda de cargos e patentes de militares, e o pagamento de indenização de R$ 30 milhões.
Mauro Cid e outros condenados
Entre os condenados, Mauro Cid recebeu pena de 2 anos, mas sua defesa afirmou que a decisão do STF não implica perda de patente e que ele pretende ir para a reserva e deixar o Brasil.
Articulação do governo contra anistia
O governo intensificou as articulações nesta semana para barrar a aprovação de uma anistia aos condenados por atos golpistas no Congresso Nacional. Lula reforçou que o Executivo atuará contra qualquer projeto nesse sentido.
Declarações de Lula sobre o voto de Fux
Questionado sobre o voto do ministro Luiz Fux, que absolveu Bolsonaro de todos os crimes, Lula afirmou: “Se o ministro Fux não quiser provas, problema dele”. O presidente destacou que há “dezenas e centenas de provas” sobre o envolvimento de Bolsonaro na tentativa de golpe e que “os juízes têm que ver a verdade”.
Lula ressaltou que não é recomendável que o presidente da República opine publicamente sobre votos de ministros do STF, mas afirmou ter uma tese pessoal sobre o tema, sem detalhá-la.
Reação a possíveis sanções dos EUA
Durante a entrevista, Lula também comentou sobre possíveis novas sanções do presidente dos EUA, Donald Trump, após o julgamento de Bolsonaro. Ele afirmou não temer as medidas e disse que o Brasil reagirá conforme necessário. “As acusações contra o Brasil são todas falsas e o presidente Trump sabe disso”, declarou Lula, criticando a postura do líder americano e defendendo a soberania das decisões da Justiça brasileira.