Política

Tarcísio de Freitas enfrenta dilema entre centro e extrema-direita ao apoiar anistia

Governador de São Paulo busca consolidar base bolsonarista, mas pode afastar eleitorado de centro decisivo para 2026

Tarcísio de Freitas, governador de São Paulo, enfrenta um dilema político ao apoiar a anistia a Jair Bolsonaro. Ele tenta equilibrar sua imagem de campanha centrista com a aproximação à extrema-direita. Esse movimento pode impactar sua viabilidade eleitoral em 2026, especialmente entre o eleitorado de centro.

O dilema político de Tarcísio

Durante sua campanha para o governo de São Paulo, Tarcísio de Freitas adotou uma postura de centro para conquistar o eleitorado paulista. No entanto, atualmente, ele se aproxima de Jair Bolsonaro e da extrema-direita ao defender a anistia do ex-presidente. Essa estratégia gera duas narrativas distintas para a próxima eleição: para os bolsonaristas, Tarcísio é visto como um aliado leal, que não abandona seu padrinho político em momentos difíceis. Já para a esquerda e parte do centro, ele é considerado um “adesista” do movimento golpista, especialmente em relação aos eventos de 8 de janeiro.

Esse posicionamento coloca Tarcísio entre dois polos: de um lado, os que apoiam Bolsonaro; de outro, os que o rejeitam. No meio desse espectro está o chamado “eleitor pêndulo”, o centro que costuma decidir eleições no Brasil.

Impacto na eleição presidencial de 2026

Para ter chances reais na eleição presidencial de 2026, o governador de São Paulo precisa reconquistar o eleitorado de centro. Analistas apontam que, ao focar na anistia a Bolsonaro, Tarcísio pode perder apoio desse grupo decisivo. O histórico eleitoral brasileiro mostra que caminhar para o centro é fundamental: o presidente Lula fez isso ao se aliar a Geraldo Alckmin, e até Jair Bolsonaro, em 2018, buscou moderação ao se aproximar de Paulo Guedes para agradar o mercado.

O próprio Tarcísio venceu em São Paulo graças a uma campanha de centro e civilizada contra Fernando Haddad. Assim, embora a defesa da anistia possa fortalecer sua base bolsonarista, o governador precisará, em algum momento, adotar o “MATACA” (Make Tarcísio Centro Again) e reposicionar-se ao centro para viabilizar sua candidatura nacional.