O aumento da temperatura global está prejudicando diretamente a produção de leite e ovos, itens essenciais da cesta básica brasileira. O calor excessivo provoca estresse térmico em vacas e galinhas, reduzindo a produtividade e a qualidade dos produtos. Além disso, alterações no regime de chuvas comprometem as pastagens e elevam os custos de produção.
Impactos do calor na produção de leite
O calor intenso causa estresse térmico em vacas leiteiras, levando à redução da ingestão de alimentos e, consequentemente, à queda na produção de leite. No Brasil, a maior parte do rebanho é criada solta no pasto e precisa percorrer distâncias maiores em busca de água nos dias mais quentes, agravando o problema. O aquecimento global também altera o regime de chuvas, prejudicando a qualidade das pastagens, principal fonte de alimento do gado. Quando a produção de leite diminui, toda a cadeia de derivados, como manteiga, requeijão e queijo, é afetada.
Consequências na produção de ovos
As galinhas também sofrem com as altas temperaturas, pois não conseguem suar e suas penas retêm calor. Segundo a zootecnista Giseli Neri, acima dos 27 graus Celsius, a produtividade dessas aves cai, com redução na quantidade e qualidade dos ovos. O milho, principal alimento das galinhas, é sensível ao calor e à falta de chuva, o que pode prejudicar safras, encarecer o insumo e aumentar os custos de produção dos ovos.
Repercussão econômica e medidas de mitigação
A queda na produção de leite e ovos pode gerar prejuízos econômicos para os produtores e elevar os preços desses alimentos no mercado, impactando o consumidor final. Investimentos em infraestrutura, como sistemas de resfriamento e sombreamento, além de manejo adequado dos animais, são apontados como essenciais para minimizar os impactos do aumento da temperatura na produção agropecuária. O estresse térmico interfere não apenas na produtividade, mas também na saúde e no bem-estar dos animais, exigindo soluções integradas para garantir a segurança alimentar e a sustentabilidade do setor.