Os preços dos ovos atingiram o menor patamar diário nas principais regiões produtoras do Brasil em junho, segundo levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) da USP.
O estudo aponta que a importação de produtos avícolas ainda não voltou ao nível anterior e a baixa demanda interna pressiona os valores para baixo.
Estoques elevados e dificuldades de escoamento também contribuem para a desvalorização da proteína nas granjas brasileiras.
Impacto da gripe aviária e restrições comerciais
As restrições impostas após o primeiro registro de gripe aviária em granja comercial no Brasil afetaram o mercado, interrompendo a compra de carne de frango por países como China, Europa e Argentina. Apesar do Brasil já ter recuperado o status de livre da doença, pesquisadores do Cepea destacam que a retomada das importações de produtos avícolas, incluindo ovos, ainda não foi plenamente restabelecida.
Dinâmica de preços e mercado
A queda nos preços dos ovos começou em abril de 2025, após altas de até 40% nas cotações. Em maio, o recuo continuou, levando a baixa liquidez em todas as praças monitoradas pelo Cepea. As médias mensais atingiram os menores valores desde janeiro de 2025, com queda superior a 10% em maio. Segundo boletim do Cepea, “essa desvalorização esteve relacionada à retração da demanda e ao aumento da oferta em algumas áreas, e não ao registro de Influenza Aviária de Alta Patogenecidade (IAAP) em granja comercial de Montenegro (RS)”.
O feriado de Corpus Christi, em 19 de junho, e o fim do mês, período de menor capitalização da população, reduziram ainda mais o ritmo de vendas. Colaboradores do Cepea esperavam que a virada de maio para junho trouxesse aquecimento na demanda, mas o fluxo de vendas permaneceu baixo.
Cotações regionais e estoques elevados
Agentes do setor em regiões como Bastos (SP), Belo Horizonte (MG), Recife (PE), Grande São Paulo (SP) e Santa Maria de Jequitibá (ES) relataram aumento dos estoques nas granjas em maio, devido ao ritmo lento das vendas. “Esse cenário levou à desvalorização da proteína, diante da dificuldade de escoamento da produção. Além disso, há relatos de descarte de poedeiras mais velhas em algumas regiões, medida que pode influenciar no controle da oferta no mercado interno e ajudar a sustentar os valores da proteína”, observam os produtores.
Entre 16 e 26 de junho, a cotação dos ovos vermelhos caiu mais de 10,6% no atacado de Santa Maria de Jetibá (ES), de R$ 207 para R$ 185 a caixa com 30 dúzias. Em Bastos (SP), a caixa de ovos brancos passou de R$ 169,52 para R$ 159 no mesmo período, enquanto os ovos vermelhos caíram de R$ 191 para R$ 177. Na Grande São Paulo, ovos brancos recuaram de R$ 179 para R$ 164, queda de 7,3%, e os vermelhos de R$ 199,95 para R$ 182. Em Recife, ovos vermelhos passaram de R$ 185 para R$ 161 (quase 13% de queda), e em Minas Gerais, de R$ 213 para R$ 188.
Valores nas principais regiões em 24 de junho
Bastos (SP): ovos brancos R$ 159,01 (-2,91%), vermelhos R$ 177,40 (-3,92%)
Grande BH (MG): brancos R$ 168,48 (-4,57%), vermelhos R$ 188,73 (-3,62%)
Recife (PE): brancos R$ 154,41 (-5,10%), vermelhos R$ 161,28 (-5,87%)
Grande São Paulo (SP): brancos R$ 164,34 (-3,84%), vermelhos R$ 182,30 (-4,44%)
Santa Maria de Jequitibá (ES): brancos R$ 162,78 (-3,01%), vermelhos R$ 183,55 (-4,28%)
Custos de produção e rentabilidade
Segundo pesquisadora do Cepea, em 2024, o aumento dos custos de insumos como milho e farelo de soja, aliado à queda nos preços dos ovos, comprometeu a rentabilidade dos produtores. Outros custos, como embalagens, também pressionaram a cadeia produtiva. “Diante desse cenário desafiador no ano passado, os produtores enfrentaram margens reduzidas. Agora, em 2025, com uma menor disponibilidade de ovos, foi possível repassar esses reajustes de forma mais intensa para as cotações”, analisou.