O preço do leite pago ao produtor registrou queda pelo segundo mês consecutivo nos principais centros produtores do Brasil, segundo levantamento da Scot Consultoria. O recuo foi impulsionado pelo aumento da oferta e pela desaceleração da demanda, fatores que pressionam o mercado e afetam a rentabilidade dos produtores.
Em maio, o valor do litro caiu quase 4% em relação a abril de 2025, conforme pesquisa do Cepea/Esalq-USP, refletindo um cenário de margens reduzidas e desafios para o setor.
Cenário de oferta elevada e demanda enfraquecida
A redução no preço do leite ao produtor está diretamente ligada ao aumento da produção nas principais regiões leiteiras, o que elevou a oferta no mercado. Paralelamente, a demanda por leite e derivados desacelerou, contribuindo para a pressão de baixa nos preços. Com isso, produtores enfrentam margens menores, enquanto os consumidores podem observar preços mais baixos no varejo, embora nem sempre haja repasse integral.
Dados e impactos recentes
Segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP, o preço médio do litro de leite captado nos maiores centros produtores nacionais fechou em R$ 2,6431 em maio, com queda de 3,9% frente a abril de 2025 e de 7,4% em relação a maio de 2024. Estados como Minas Gerais, Bahia, Goiás, São Paulo, Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina compõem a chamada “Média Brasil”.
Após quatro altas seguidas, o Custo Operacional Efetivo (COE) caiu 0,72% em maio. A disputa entre indústrias de laticínios pela compra de leite cru havia impulsionado preços nos primeiros meses de 2025, mas a desvalorização de insumos para nutrição do rebanho favoreceu investimentos e ampliou a oferta. “Apesar de atípica para o período, a baixa nos valores pagos ao produtor era esperada pelos agentes do setor e ocorre em função do aumento da oferta e do enfraquecimento na demanda por lácteos na ponta final da cadeia”, explicam pesquisadores do Cepea.
O Índice de Captação do Leite subiu 1,13% de abril para maio na “Média Brasil”, superando o crescimento de anos anteriores em várias bacias leiteiras, impulsionado por investimentos dos produtores.
Derivados e mercado externo
Levantamentos do Cepea com apoio da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) apontam quedas nos preços do UHT, muçarela e leite em pó no atacado paulista, o que estreita as margens dos laticínios. Apesar do aumento de 59% nas exportações de abril para maio, o déficit da balança comercial em volume cresceu 7,1%, atingindo 169,4 milhões de litros em equivalente leite.
Oscilações no início do ano
No começo de 2025, o preço do leite ao produtor registrou alta de 3,3% entre janeiro e fevereiro, motivada pela maior competição entre indústrias. O litro chegou a R$ 2,77 nos cinco maiores centros produtores, com valorização real de 18,1% sobre fevereiro do ano anterior, considerando o IPCA. O clima adverso, marcado por seca e calor intenso, reduziu a oferta e aumentou a concorrência entre compradores, cenário que mudou com a recuperação da produção nos meses seguintes.