O volume de exportações brasileiras de ovos registrou a primeira queda em 2025, após redução nas compras pelos Estados Unidos, principal destino do produto. Segundo dados do Ministério da Agricultura, de janeiro a julho, o Brasil exportou 1,2 mil toneladas de ovos, 5% a menos que no mesmo período do ano anterior.
O recuo nas vendas externas afeta diretamente produtores nacionais, que dependem do mercado internacional para escoar parte da produção e influenciar os preços internos.
Queda nas exportações e impacto do mercado internacional
De acordo com levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) da Universidade de São Paulo, baseado em dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), o Brasil embarcou 5,26 mil toneladas de ovos in natura e processados em julho de 2025, volume 20% inferior ao de junho. O principal motivo foi a redução de 31% nas compras dos Estados Unidos, que historicamente lideram as importações do produto brasileiro.
Apesar da queda mensal, o volume exportado em julho de 2025 ainda supera em 305% o registrado no mesmo mês de 2024. Ainda assim, a diminuição nas exportações pode afetar a rentabilidade dos produtores, que dependem do mercado externo para equilibrar oferta e demanda interna.
Oscilações de preços e influência da gripe aviária
O setor também foi impactado por restrições internacionais devido ao registro de gripe aviária em granja comercial no Brasil. Embora o país já tenha recuperado o status de livre da doença, a retomada das importações ainda não foi totalmente restabelecida, afetando as vendas de ovos e outros produtos avícolas.
Em junho, os preços dos ovos atingiram o menor patamar diário nas principais regiões produtoras, segundo boletim do Cepea. O movimento de queda começou em abril, após altas de até 40% nas cotações, e se intensificou em maio, quando a baixa demanda e o aumento da oferta pressionaram os preços para baixo.
Reação do mercado interno e perspectivas
No início de agosto, as cotações dos ovos voltaram a subir na maioria das regiões acompanhadas pelo Cepea, impulsionadas pelo fim das férias escolares e pelo aumento do consumo típico do início do mês. Em contrapartida, entre junho e julho, o ritmo lento das vendas elevou os estoques nas granjas e levou ao descarte de poedeiras mais velhas em algumas regiões, como medida para controlar a oferta.
Variação regional de preços
Entre 16 e 26 de junho, a cotação dos ovos vermelhos caiu mais de 10,6% em Santa Maria de Jetibá (ES), de R$ 207 para R$ 185 a caixa com 30 dúzias. Em Bastos (SP), o preço da caixa de ovos brancos recuou de R$ 169,52 para R$ 159 no mesmo período. Na Grande São Paulo, ovos brancos caíram de R$ 179 para R$ 164, e vermelhos de R$ 199,95 para R$ 182. Em Recife (PE), ovos vermelhos passaram de R$ 185 para R$ 161, e em Minas Gerais, de R$ 213 para R$ 188.
Custos de produção e desafios
Em 2024, os custos dos principais insumos, como milho e farelo de soja, aumentaram, enquanto a queda nos preços dos ovos comprometeu a rentabilidade dos produtores. Outros gastos, como embalagens e investimentos em climatização, também pressionaram a cadeia produtiva. Em 2025, com menor disponibilidade de ovos, foi possível repassar reajustes de preços de forma mais intensa, segundo análise do Cepea.
Especialistas acompanham o mercado internacional para avaliar se a queda nas exportações será temporária ou se poderá se estender, afetando ainda mais o setor produtivo nacional.