O presidente Luiz Inácio Lula da Silva passou a destacar Tarcísio de Freitas como seu provável adversário na eleição presidencial de 2026. A estratégia visa desgastar a imagem do governador de São Paulo e acirrar as divergências dentro da família Bolsonaro.
Lula percebeu movimentação precoce de governadores de direita e ficou incomodado com recentes críticas de Tarcísio ao seu governo. O petista aposta em dar visibilidade ao rival para estimular divisões internas na oposição.
Segundo interlocutores do presidente, Lula identificou que, com a possibilidade de condenação de Jair Bolsonaro por tentativa de golpe e a ausência de Eduardo Bolsonaro do país, as opções da família Bolsonaro se reduzem, enfraquecendo o clã na disputa nacional.
Nas últimas semanas, Lula notou uma movimentação antecipada de governadores de direita, especialmente após ataques de Tarcísio de Freitas ao governo federal durante evento com Ciro Nogueira e Ricardo Nunes. O governador de São Paulo tem adotado discurso de pré-candidato ao Planalto, o que motivou Lula a colocá-lo nos holofotes.
A divisão interna no grupo de Bolsonaro ficou evidente com mensagens da investigação contra Jair e Eduardo Bolsonaro, em que Eduardo critica Tarcísio. Carlos Bolsonaro também atacou governadores de direita nas redes sociais, chamando-os de “ratos”.
Ao destacar Tarcísio como adversário, Lula busca estimular o desgaste entre governadores de direita e aumentar a tensão dentro da família Bolsonaro, que já enfrenta dificuldades para manter sua influência política.
Direita em busca de alternativa
Com o julgamento de Bolsonaro no STF, cresce a percepção entre líderes de direita de que é necessário construir uma alternativa forte ao ex-presidente. Governadores e partidos como União Brasil e PP articulam um novo projeto nacional, reduzindo o protagonismo de Bolsonaro.
A família Bolsonaro, principalmente Carlos e Eduardo, já percebe esse movimento, que antecipa o esvaziamento do poder político de Jair Bolsonaro. O clã esperava manter influência até o próximo ano, mas a ação dos governadores acelera o processo.
Segundo a avaliação da família, partidos e lideranças buscam colocar Bolsonaro em posição secundária, submetendo-o a um projeto já em curso. Apesar disso, Valdemar Costa Neto, presidente do PL, afirmou em rede social que o candidato do partido será Bolsonaro ou quem ele escolher.