As negociações para um tratado internacional contra a poluição por plásticos terminaram nesta sexta-feira (15) sem acordo em Genebra. Representantes de 185 países tentaram superar impasses entre defensores de ações ousadas e produtores de petróleo.
O encontro, iniciado em 5 de agosto na sede da ONU, se estendeu além do prazo final, mas não houve consenso sobre proposta de última hora. O fracasso frustrou pequenas nações insulares e a Coalizão de Alta Ambição, que buscavam medidas mais rígidas.
Impasse entre países produtores e defensores de ação ousada
Durante dias, negociadores de 185 países trabalharam intensamente em Genebra para criar um tratado histórico contra a poluição por plásticos. O principal ponto de discordância foi o escopo do acordo: enquanto a Coalizão de Alta Ambição — formada por União Europeia, Reino Unido, Canadá e vários países africanos e latino-americanos — defendia a redução da produção de plástico e a eliminação de substâncias químicas tóxicas, o chamado Grupo de Afinidade, liderado por Arábia Saudita, Kuwait, Rússia, Irã e Malásia, queria um tratado restrito à gestão de resíduos.
Após sessões a portas fechadas, os representantes se reuniram no salão principal do Palais des Nations para avaliar o impasse. O negociador da Noruega declarou: “Não teremos um tratado para acabar com a poluição plástica aqui em Genebra”. Cuba lamentou a “oportunidade histórica perdida”, ressaltando a urgência da ação para as gerações presentes e futuras.
Palau, representando 39 pequenos Estados insulares em desenvolvimento (SIDS), expressou frustração com o pouco progresso, afirmando ser “injusto que os SIDS enfrentem o peso de mais uma crise ambiental global para a qual contribuímos minimamente”.
Produção global de plástico e desafios da reciclagem
O mundo produz mais de 400 milhões de toneladas de plástico por ano, sendo metade destinada a itens descartáveis. Apesar de 15% dos resíduos plásticos serem coletados para reciclagem, apenas 9% realmente passam pelo processo. Quase metade (46%) vai para aterros sanitários, 17% é incinerada e 22% acaba descartada de forma inadequada, tornando-se lixo.
O Kuwait, representando o Grupo de Afinidade, criticou a falta de inclusão de suas opiniões e alertou para o risco do processo “escorregar por uma ladeira perigosa” sem um escopo acordado. O impasse evidencia a dificuldade de alinhar interesses econômicos dos grandes produtores de petróleo com a urgência ambiental defendida por outros países e organizações.
O fracasso das negociações em Genebra aumenta a pressão para que as próximas rodadas alcancem um consenso que permita avanços concretos no combate à poluição plástica global.