Um estudo divulgado nesta segunda-feira (4) aponta que a reciclagem, embora relevante, não será suficiente para resolver a crise global do lixo plástico. Segundo o relatório publicado na revista “The Lancet”, a produção mundial de plástico segue em alta, tornando urgente a adoção de medidas mais abrangentes.
Especialistas defendem que a redução da produção e do consumo de plástico é fundamental para combater os impactos ambientais e os riscos à saúde associados ao material.
Desafios da reciclagem e impactos ambientais
A reciclagem enfrenta obstáculos técnicos e econômicos, pois muitos plásticos não são recicláveis ou perdem qualidade após o processo, limitando o reaproveitamento. Atualmente, apenas cerca de 9% dos plásticos são reciclados, enquanto a maior parte vai para aterros, é incinerada ou acaba no meio ambiente.
O lixo plástico causa danos à fauna, flora, solos e oceanos, agravando a crise ecológica. A produção global saltou de 2 milhões de toneladas em 1950 para 475 milhões em 2022, e pode triplicar até 2060. Alguns especialistas estimam que isso pode ocorrer já em 2050, consumindo um quarto do orçamento de carbono restante.
Segundo o estudo, “está claro que o mundo não conseguirá sair da crise da poluição plástica por meio da reciclagem”. O controle exigirá pesquisas, políticas, fiscalização e inovações baseadas em ciência.
Produção global e desafios políticos
Cerca de 99% dos plásticos vêm de combustíveis fósseis, e sua produção responde por mais de 5% das emissões globais de gases de efeito estufa. A capacidade de produção só diminui na União Europeia, enquanto outros países, como China e Brasil, ampliam suas fábricas. O Brasil produziu 13,7 milhões de toneladas em 2022, com mais de 3 milhões de toneladas de resíduos indo para rios e mares anualmente.
A poluição plástica representa um risco crescente à saúde, custando ao mundo pelo menos 1,5 trilhão de dólares por ano. Compostos como ftalatos, presentes nos plásticos, estão ligados a doenças cardíacas e mortes, segundo estudos recentes.
As negociações globais sobre a redução da produção de plástico enfrentam resistência de países produtores e forte influência de lobistas do setor petroquímico. Segundo o CIEL, representantes dessas indústrias formaram a maior delegação nas negociações internacionais, superando até a União Europeia.